Moradores da Vila São Judas Tadeu, em São José dos Pinhais, bloquearam na tarde de ontem a BR-277, por causa da morte de duas crianças atropeladas na noite de anteontem. Durante quase três horas, eles impediram a passagem de veículos, provocando uma fila de quase 10 quilômetros. Revoltados, os moradores montaram barreiras e enfrentaram a polícia, que os retirou do local às 17h21. Uma pessoa foi presa durante a manifestação.
Kraw PenasDurante as 3h30 em que a estrada ficou fechada, a polícia registrou congestionamentos de até 10 quilômetrosSegundo o coordenador da Associação de Moradores da Vila São Judas, Dilson Marinho Pinheiro, os meninos Robson e Renan Henrique de Oliveira foram atropelados junto com o pai, Roberto de Oliveira, que está internado no Hospital Cajuru. Com isso, o número de pessoas atropeladas na região somam 475, em cinco anos. ‘‘Esses acidentes acontecem pelo descaso e pelo simples desinteresse do governo estadual, municipal e, também, da concessionária Ecovia’’, disse, reclamando da falta de uma passarela. Dilson avisou que por causa dessa indiferença os moradores pretendem realizar outras manifestações até a construção da passarela.Até ontem, o Departamento de Estradas e Rodagem e a Ecovia não tinham nenhum projeto para uma passarela.
Os moradores bloquearam a estrada esperando um representante do governo e da concessionária para negociar. Nenhum carro pode passar no local e quem se arriscou ou foi vaiado ou empurrado pelos manifestantes. Às 17 horas, o Batalhão de Choque apareceu. Houve confronto entre os policiais e os moradores, que se enfrentaram com tiros e pedras.
O acidente com as duas crianças foi provocado pelo motorista Valdecir Soares Alves, 34 anos, que está em liberdade. Ele vinha com seu carro, um Apollo, em alta velocidade, que perdeu o controle e atropelou Roberto Oliveira, acompanhado das duas crianças. O motorista teve ser escoltado pela Polícia Rodoviária Federal para não ser linchado.
A moradora Zoraide de Campos Pedroso conta que os acidentes neste ponto da BR são frequentes. ‘‘Há menos de um seis meses, uma mulher grávida morreu aqui’’, disse. Ela conta que seu filho quase morreu num acidente, por causa da imperícia de motoristas. ‘‘Nos 23 anos, em que estou aqui, vi morrer diversos amigos. Em nenhum momento, o governo se preocupou em atender um simples pedidos dos moradores - uma passarela’’. A Ecovia diz que só construirá uma passarela no local se o DER determinar.

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