Atropelamento de menino causa protesto no conjunto Cafezal
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 1997
Luka Morais 
Josoé de CarvalhoRevoltaRua interditada no cafezal: moradores exigem quebra-molaA morte de um menino de 10 anos, atropelado por um ônibus anteontem à noite, no cruzamento da rua Ida Postali Victorelli com a Fermino Vieira, no conjunto Cafezal (zona sul), fez que moradores do bairro interditassem a via. Alegando que reivindicam há mais de 10 anos a colocação de quebra-molas no local, eles fecharam a rua com galhos e pneus velhos, que foram queimados. Não vamos esperar que morra outra criança, se não fizerem o quebra-molas vamos encher a rua de valetas, ameaçou a moradora Maria Jésus Paulino.
Os moradores lembram que já houve uma morte no local e que acidentes acontecem com frequência já que o cruzamento fica numa baixada. Os carros descem aqui a mais de 100 quilômetros por hora, conta Ivani de Oliveira Machado, que mora no bairro há 15 anos.
Ela diz que os pedidos de instalação de quebra-molas vêm sendo feitos há várias administrações. Desde a outra vez em que o Belinati foi prefeito nós pedimos isso, mas pelo jeito os pedidos ficam na gaveta, lamentou. Ela conta que seu sobrinho foi vítima de atropelamento mas os ferimentos foram leves já que o veículo fazia sentido oposto, subindo a rua.
O corpo do menino Osvaldo Yoshio Makita foi velado no centro comunitário do conjunto, próximo ao cruzamento onde aconteceu a morte. O clima era de grande revolta. Crianças da creche Nícia Rocha Cabral e da escola municipal Joaquim Vicente Castro, onde o menino estudava, foram até o velório.
A família do menino atropelado mora há quatro meses no bairro. O pai, lavrador Osvaldo Yassuo Makita, disse que se houvesse um quebra-molas o perigo no local seria menor. As crianças descem de bicicleta sem imaginar o perigo. O motorista não teve culpa porque quando viu já estava em cima do meu filho.
As árvores no cruzamento atrapalham a visão de quem cruza a via principal. Nosso bairro tem muitas crianças. Se fosse filho de rico já tinham resolvido o problema, criticou Maria Jésus Paulino.
A Folha procurou ouvir o Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) sobre a possibilidade da colocação de quebra-molas no local. O presidente, Mário Stamm Júnior, e o da Divisão de Trânsito e Sistema Viário, Juan Carlos Monastério Dias, estão viajando e só retornam na sexta-feira.
Já o presidente da AMA (Autarquia do Meio Ambiente), Nelson Kohatsu, assegurou que as árvores que estão atrapalhando a visão dos motoristas serão podadas hoje. Ele justificou que muitos pedidos deixam de ser atendidos porque são mal encaminhados. Os interessados, disse ele, devem requerer os serviços pelo fone 156, que funciona também aos sábados e domingos para emergências.


