Atropelador nega que disputava racha
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segunda-feira, 18 de agosto de 1997
Lucília Okamura e Adriana De Cunto 
Londrina
Dorico da SilvaPeríciaO Gol de Coutinho é vistoriado pela Criminalística: estragos mostram que o carro trafegava em velocidade não compatível com a viaO delegado de Acidentes de Trânsito de Londrina, Valter Martins Lemos, interrogou ontem, no final da tarde, na Clínica de Recuperação das Palmeiras, Marcelo Matos Coutinho, 21 anos. Ele é acusado de ter atropelado e matado, na madrugada da última sexta-feira, na avenida Tiradentes (zona oeste), a estudante Vanessa Maia, 18 anos. Marcelo Coutinho, que está internado na clínica desde domingo, sob efeito de sedativos, nega que estivesse participando de um racha no momento do atropelamento.
O delegado relata que o advogado do acusado, João Sabec, a princípio, havia dito que seu cliente não estava em condições de prestar depoimento. Mas, às 15 horas, permitiu que o interrogatório fosse feito na clínica. Segundo Valter Lemos, o interrogatório teve início às 16h30 e durou cerca de duas horas. Tivemos que interromper várias vezes porque ele começava a chorar muito. Ele estava bastante abalado, ressalta.
Dorico da SilvaInvestigaçõesLemos, delegado: por enquanto, está configurado homicídio culposoMarcelo Coutinho relatou ao delegado que estava em companhia de dois amigos, Erivelto e Alessandro. Eles haviam saído do Catuaí Shopping Center (zona sul) e resolveram passar no Rodeio Universitário, que estava acontecendo no Parque Ney Braga (zona oeste). Como o evento já havia terminado, eles resolveram voltar para a casa.
Ainda de acordo com o delegado, Coutinho que, ao passar o sinaleiro da avenida Tiradentes, localizado em frente à Companhia Cacique de Café Solúvel, ultrapassou alguns veículos. À sua frente, mas na outra pista, estava um veículo de cor clara que ele não conseguiu identificar.
Na mesma pista, Marcelo Coutinho teria visto três pessoas atravessando a via. Duas delas conseguiram chegar ao canteiro central. Diante da indecisão da terceira pessoa (a vítima), ele acabou atropelando, relata o delegado. Valter Lemos conta que Coutinho disse que chegou a parar o carro, mas quando viu que várias pessoas estavam socorrendo Vanessa Maia, resolveu ir embora. Ele ficou com medo até de uma represália, afirma Lemos.
O acusado, segundo o delegado, afirmou que estava trafegando a cerca de 100 km/hora. Valter Lemos observa que o depoimento do acusado foi bastante esclarecedor e que ele não entrou em contradição. Ele chegou a desenhar croquis da situação.
Hoje, às 15 horas, o delegado interrogará Edmar Mattos, 24 anos, motorista do Escort que, segundo testemunhas, disputava um racha com o Gol de Coutinho. Edmar Mattos mora em Campinas e passava uns dias em Londrina, na casa dos pais, na avenida Inglaterra (zona sul).
A mãe de Edmar, Clarice Mattos, negou à Folha, no domingo, que o filho tenha participado do racha. Ela afirma que Edmar é testemunha do acidente e que até parou para tentar ajudar a vítima.
ApeloA mãe de Vanessa dá depoimento: pedido de rigor nas investigaçõesAté ontem pela manhã, a polícia já tinha ouvido quatro testemunhas do atropelamento e todas confirmaram a mesma versão: que o Gol e o Escort estavam em um racha e que teriam começado a acelerar no semáforo em frente à Companhia Cacique de Café Solúvel. Eles disseram ainda que ambos os veículos estavam em alta velocidade e não pararam para socorrer a vítima.
No local do acidente prestaram depoimento Ricardo da Silva e Maikon José de Oliveira, que também estavam no Rodeio Universitário e presenciaram o atropelamento. Ontem pela manhã foi a vez do irmão de Vanessa, Charles Maia, da amiga Maria Marlete Palácio e dos pais da estudante, Cleusa Serafim e Antonio Gonçalves Maia. Também deverá ser ouvido o vigia do Motel Scala, José Fernando Januário, que também teria visto o acidente.
Charles Maia acrescentou em seu depoimento que a primeira pessoa que parou para socorrer a vítima foi um bombeiro, que constatou que a garota estava morta. Tanto o irmão quanto Maria Marlete Palácio afirmaram que o Gol e o Escort continuaram em alta velocidade após o atropelamento.
O delegado Valter Lemos explica que até o momento está configurado o homicídio culposo (sem intenção de matar) mas ele acredita que, se a polícia conseguir provar que os envolvidos estavam participando de um racha, eles poderão ser enquadrados em homicídio de dolo eventual. É quando a pessoa assume um risco de produzir um resultado danoso, explica o delegado.
A pena para este caso é de até 13 anos de reclusão. No caso do homicídio culposo, a pena é de um a três anos.


