A Polícia Civil de Porecatu (85 km ao norte de Londrina) ouviu ontem de manhã João Fernando Sanches Carnelossi, 21 anos, acusado de ter atropelado três pessoas no domingo à noite, em Florestópolis. No acidente, morreram Marta da Silva Mota, 22 anos, e a filha Daiane Mota da Silva, 4 anos. A outra filha de Marta, Geane Cristina da Silva, 2 anos, continua internada em estado grave no Hospital Universitário de Londrina.
Conforme relatório médico divulgado pela assessoria de imprensa do hospital, o quadro clínico de Geane está inalterado desde que foi internada no domingo. Ela continua em coma profundo na UTI pediátrica, respirando por aparelhos, vítima de traumatismo craniano.
O delegado Márcio Vinícius Ferreira Amaro disse que no depoimento João Carnelossi afirmou estar retornando de Porecatu, onde passou o domingo na casa da namorada, e que naquele dia não ingeriu bebida alcoólica. Próximo do perímetro urbano de Florestópolis, viu um ônibus saindo do acostamento e uma criança correr pela rodovia. Em seguida, Marta teria corrido atrás da criança. Como estava com velocidade em torno de 70 a 80 quilômetros por hora, tentou parar o carro, mas não houve tempo.
Carnelossi alegou que, com a colisão, o parabrisa do veículo estourou no rosto dele. Nervoso, foi parando o carro devagar. Por isso teria ficado distante do local do atropelamento. Disse que desceu e foi em direção às vítimas para prestar socorro, mas outras pessoas correram para o lado dele. Com medo da reação das outras pessoas, correu para a casa dele e pediu a um amigo que socorresse as vítimas.
João Carnelossi foi indiciado por homicídio culposo e omissão de socorro. O delegado Márcio Vinicius ouviu ainda outras três pessoas, todos irmãos de Marta, que presenciaram o acidente. Eles alegaram que Marta não tinha terminado de atravessar a pista quando foi atropelada e que estaria com um irmão dela. ‘‘Eles disseram ter visto o carro longe, mas calcularam mal a distância e não conseguiram evitar o acidente’’, comentou.
Vinícius está procurando outras pessoas que presenciaram o acidente, mas está tendo dificuldades. Ele afirmou que as pessoas estão com medo de ajudar. ‘‘Parece que impera a lei do silêncio, pois agora ninguém viu nem ouviu nada. Queremos localizar as pessoas que estavam no ônibus para ver se conseguimos alguma informação esclarecedora’’, ressaltou.
A Polícia não consegue encontrar testemunhas, mas os moradores da região onde aconteceu o acidente estão organizando um protesto para amanhã, às 9 horas, com o fechamento da rodovia. Segundo Janaína de Matos Padilha, os moradores vão reivindicar a melhoria da sinalização no local para evitar outras tragédias. Familiares das vítimas estarão presentes.

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