Osmani Costa
Morreu na noite de anteontem, no Hospital Universitário (HU) de Londrina, Antonio Carlos Morástico, 27 anos, vítima de complicações e sequelas do traumatismo craniano que sofreu ao ser atropelado no dia 22 de janeiro. O corpo dele foi sepultado, na tarde ontem, no Cemitério Municipal João XXIII (área central).
O atropelamento ocorreu quando Morástico - que era solteiro e deficiente auditivo - tentava atravessar de bicicleta a Rodovia PR-445, no Parque Ouro Branco (zona sul). Ele foi atingido por um Fiat Fiorino, da Autarquia Municipal de Saúde, dirigido por Edson de Matos Rodrigues. A família já contratou advogado para entrar com ação na Justiça contra a prefeitura, reivindicando indenização por danos morais e materiais.
Nestes cinco meses de internamento, a vítima foi submetida a quatro cirurgias no cérebro. ‘‘Vamos entrar com a ação porque, além de todo o sofrimento que passamos com o atropelamento e meses de internação do Antonio Carlos, ele fará muita falta para a nossa família a partir de agora. Queremos que a justiça seja feita e o culpado seja punido’’, afirmou a irmã do morto, Adriana de Lima Morástico, durante o velório na tarde de ontem.
Além do traumatismo craniano, Morástico perdeu a visão e sofreu paralisia no lado esquerdo do corpo em consequência do acidente. As causas e circunstâncias em que ocorreu o atropelamento estão sendo investigadas em inquérito aberto, na semana passada, pelo delegado de Trânsito de Londrina, Roberto Hummig. Até ontem, o processo tratava de acidente com lesões corporais. A partir de agora, ele será transformado em investigação sobre morte no trânsito.
O delegado, que já ouviu a mãe da vítima, Iracema Maria Morástico, e outros familiares, tem 30 dias para concluir o inquérito e enviar o relatório ao Ministério Público. ‘‘A partir da próxima semana, vamos ouvir as testemunhas do acidente e o motorista Edson de Matos Rodrigues. As investigações são para concluirmos se houve ou não culpa pelo atropelamento e a consequente morte. Neste caso, o motorista poderá responder por homicídio culposo’’, comentou Hummig.
A pena prevista para homicídio culposo no trânsito é de 2 a 4 anos de detenção e suspensão da Carteira Nacional de Habilitação. O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, disse que a possibilidade de a família processar o município é um direito que ela tem. ‘‘Mas quem vai decidir se houve culpa ou não, no acidente, é a Justiça. Nós prestamos todo o atendimento possível ao acidentado’’, afirmou.

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