Atravessar a rua pode ser uma aventura
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O simples ato de atravessar a rua pode transformar-se numa verdadeira aventura em algumas vias movimentadas de Londrina, seja por sinalização inadequada ou por falta de conscientização dos motoristas. Um problema que poderia nem existir se os condutores tivessem o hábito - comum em cidades como Brasília - de respeitar o pedestre. Nessas localidades, a faixa é uma área de segurança garantida para quem anda a pé.
As avenidas Bandeirantes, Dez de Dezembro, Theodoro Victorelli são algumas dessas vias que representam risco à integridade física dos pedestres. A arma deles, então, é contar com a boa vontade dos condutores e paciência para chegar ao outro lado da via.
Um local de bastante movimento é a rotatória ao lado do Ginásio Moringão, na Área Central. ''É bastante complicado. Desço do ônibus na (avenida) Higienópolis e é sempre difícil passar por aqui'', comenta a aposentada Neusa Maria de Almeida, 58 anos. Ela queixa-se do tempo perdido para cruzar a Rua Gomes Carneiro e chegar até a Avenida Bandeirantes.
Para o estudante Ítalo Rodrigo Cândido Guilherme, 28, a travessia para quem vem da Avenida JK para as caminhadas no Zerão e na pista às margens do Lago Igapó é complicada independentemente do horário. Segundo ele, é raro acontecer de um motorista dar preferência ao pedestre. ''É muito pior para pessoas de mais idade'', comenta. Para Guilherme, uma opção recomendável seria a instalação de semáforos, a exemplo da rotatória no cruzamento das avenidas Leste-Oeste e Rio Branco, na Zona Oeste. ''Temos órgãos técnicos para definir a melhor opção, mas alguma coisa tem de ser feita'', cobra.
A estudante Karina Takahashi, 20, sempre passa pela rotatória do Moringão. Ela acredita que o local é perigoso em especial à noite. ''Apesar das faixas, nenhum motorista dá preferência ao pedestre'', queixa-se. A solução, na opinião dela, passa mais pela reeducação dos motoristas do que por intervenções no sistema viário.
Pacientes e idosos
Não muito longe dali, outro ponto crítico é a Avenida Bandeirantes, nas proximidades do Hospital Evangélico. Por causa do grande número de clínicas médicas na via, a circulação de pacientes e idosos é constante. Um risco para os pedestres, que não contam com um semáforo para garantir uma travessia segura. A aposentada Matilde Sitta Dias de Almeida, 66, relata que quase foi atropelada. ''Teria que ter um semáforo ou pelo menos um bom quebra-molas. Do jeito que está, tenho medo de atravessar e preciso correr sempre'', reclama.
Para o pintor Dirceu Guedes, 54, a queda-de-braço entre carros e pedestres nas ruas de Londrina é um problema sem solução. Culpa do aumento constante da frota. ''É o final dos tempos. Tem motorista que até respeita, mas só quando tem um quebra-molas pela frente. O que resolveria é a conscientização do motorista'', declara. Ele próprio, no entanto, admite que é difícil para os condutores respeitarem a regra da preferência para quem esta a pé. ''É um defeito que nós, motoristas, temos. Quando entramos no carro estamos com pressa'', admite.


