Piraquara Os presos que cumprem pena em regime semi-aberto na Colônia Penal Agrícola sofreram no início do governo Roberto Requião (PMDB) dificuldades para receber os chamados pecúlios (salários por serviços prestados dentro da unidade). Segundo o coronel Justino Sampaio Filho, diretor do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), o atraso foi ocasionado por causa da mudança de equipe que gerenciava o orçamento do sistema penitenciário. ''A nova equipe teve que fazer ajustes orçamentários. Houve o atraso, mas já foi corrigido'', garantiu Sampaio. O atraso no pagamento teria ocorrido no mês de janeiro. Os pecúlios teriam sido pagos em fevereiro e março. O mês de abril foi pago na semana passada.
O pecúlio por preso é de cerca de R$ 42,00. Sampaio negou que o atraso tenha sido ocasionado pelo rompimento do governo do Estado com alguns contratos com fornecedores. ''Os pecúlios são pagos pelas empresas que possuem canteiros de trabalho. Estes contratos não foram rompidos. Todos os recursos devidos por eles foram repassados'', declarou o coronel.
Quanto à alimentação dos presos, Sampaio afirmou que nunca houve falta de comida. Por vezes, por causa da demanda das diversas unidades penitenciárias, faltam alguns produtos. No entanto, a Colônia Penal produz carnes (frango, boi, carneiro), ovos e verduras. ''Se não recebemos o suficiente, usamos por vezes a produção da própria unidade. Não creio que os presos possam reclamar da alimentação'', argumentou.
Sampaio também minimizou as reclamações de falta de comida e de materiais na PEL. ''Todos os problemas momentâneos nos foram comunicados e ajudamos a resolver'', disse. Sobre o cancelamento do pagamento aos fornecedores, o diretor justificou que os repasses já estão sendo feitos e que a situação será normalizada em breve.
Ele manifestou estranhamento quando foi informado de que as contas-adiantamento estavam sendo insuficientes para a PEL. ''Eu não sabia disso, não me disseram nada'', afirmou. Sampaio também se surpreendeu ao saber das reclamações de ex-detentos de que há perseguição na Colônia. ''Olha, se houve mesmo algum abuso, é preciso que sejam feitas denúncias, o que ainda não aconteceu nesta casa de detenção este ano'', argumentou.
''Estamos fazendo o que podemos para minimizar o problema da refeição. Falta verba. Mas a gente tem corrido para garantir uma alimentação balanceada'', disse o vice-diretor da Colônia Penal Agrícola, Aclínio José do Amaral. Os problemas de higiene relatados pelos presos seriam ocasionados por causa da estrutura da unidade penitenciária, que é antiga. A Colônia Penal Agrícola conta com 900 presos. Mais de 90% deles trabalham nos 25 canteiros instalados na unidade. (Colaborou Fábio Galão)

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