Atraso em obra revolta moradores
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quarta-feira, 20 de março de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O atraso nas obras de uma trincheira no Jardim Nova Olinda (zona oeste de Londrina) está revoltando os moradores do bairro. Quando foi anunciada em 2009 a obra foi motivo de festa, já que possibilitaria a passagem de pedestres e veículos pela linha férrea em frente ao Residencial Anselmo Vedoato, onde moram cerca de 2,7 mil famílias. Ela beneficiaria ainda os moradores dos jardins Cabo Frio, Marajoara, Imagawa, Santo André, Maria Celina, Barcelona Chefe Newton, São Jorge e Vista Bela (zona norte) e desafogaria o fluxo na Avenida Winston Churchill.
A previsão inicial é que o serviço seria executado em seis meses e o edital orçava a construção em R$ 6,49 milhões. Quatro anos depois, a parte inferior da trincheira está inacabada e apenas parte do pavimento no entorno recebeu pedriscos com piche. Além de causar vários problemas aos moradores, o custo da obra aumentou para R$ 8,99 milhões.
O administrador de empresas Rodrigo Garcia é morador da Avenida Clarice de Lima Castro, no Jardim Nova Olinda. Revoltado com a demora, enviou e-mails à ouvidoria do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), solicitando o prazo de entrega da obra. O primeiro e-mail foi enviado no dia 10 de abril do ano passado e o DNIT respondeu que a obra seria entregue em setembro de 2012.
No dia 25 de setembro de 2012 Garcia enviou mais um e-mail e a resposta foi que a entrega havia sido remarcada para dezembro. No final do ano ele entrou novamente com contato com a Ouvidoria do Departamento Nacional e recebeu como resposta que a obra seria entregue em fevereiro de 2013.
O engenheiro e supervisor do DNIT em Londrina, José Carlos Belluzzi de Oliveira, informou à FOLHA nesta semana que a entrega da obra será realizada em junho. Questionado sobre o motivo do atraso, ele declarou que houve uma demora na entrega do relatório sobre a vistoria realizada pela América Latina Logística na estrutura da trincheira.
"Precisávamos disso para poder transferir o desvio da linha férrea e terminar a obra", justificou o engenheiro. O relatório levou 20 dias para ser realizado, mas Belluzi afirmou que a data de entrega não pode ser feita apenas por matemática. "Agora vamos entrar em um período de muitas chuvas, por isso não dá para fazer a diferença simples entre as datas. Fora isso existe um custo para manter um canteiro de obras", argumentou.
Queda nas vendas
As vias no entorno de onde a obra é executada estão interditadas por manilhas de concreto para impedir a circulação de carros. Para quem mora ou possui comércio dentro do perímetro demarcado o prejuízo é grande. A proprietária de um mercado que fica na quadra interditada relata que o movimento de seu comércio caiu 40% desde que as vias foram fechadas, há aproximadamente 30 dias. "Fica complicado para a gente, já que os clientes não podem estacionar em frente daqui", reclamou Fátima Rosa.
Além das vias interditadas, os moradores do residencial Anselmo Vedoato reclamam bastante da poeira. A técnica em informática Dora Marchiori afirmou que está com problemas respiratórios. "Além de acabar com a nossa saúde, a poeira suja toda a roupa que fica no varal e a casa também fica imunda", contou.
A obra da trincheira foi permeada de polêmicas. Logo depois de ser anunciada, em 2009, os moradores reclamaram que s calçadas seriam estreitadas e logo depois sofreram com as rachaduras e afundamento do piso nos imóveis. As escavações e a falta de uma contenção adequada das terras fizeram com que parte das ruas desmoronasse em 2011 e motivou a interdição da obra até que o problema fosse resolvido.
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