Dezenas de pessoas que atuam na Frente de Trabalho da prefeitura estiveram reunidos ontem de manhã, na entrada do prédio administrativo (zona sul). Elas protestaram contra o atraso no pagamento da parecela quinzenal, que deveria ter saído ontem.
A frente é composta por aproximadamente 1.500 pessoas que não têm contrato de trabalho com a prefeitura e recebem pagamento a cada 15 dias. A maioria dos trabalhadores atua na Autarquia do Meio Ambiente (AMA), fazendo a limpeza pública. A média salarial é de R$ 140,00 por mês.
Francisco Araújo, que trabalha na frente há seis anos, conta que resolveu ir até a prefeitura cobrar uma solução. ‘‘Passamos o Natal sem nada, já que nem a cesta básica recebemos neste ano. Agora queremos receber o pagamento, que é um direito nosso’’, ressalta.
Morador de uma favela nos fundos do conjunto Maria Cecília (zona norte), Francisco Araújo conta que é casado e recebe R$ 78,00 por quinzena. ‘‘Tive que ir para a favela porque não tinha dinheiro para pagar aluguel’’, reclama.
Joel Pereira Andrade ressalta que esperava receber ontem para poder pagar todas as suas dívidas. ‘‘A situação em casa está bastante precária e se não recebermos hoje (ontem), tudo vai ficar pior’’, afirma. Ele conta que é casado, tem dois filhos pequenos e mora no parque das Indústrias (zona sul).
Antônio Agostinho Zacharias Nunes explica que, a exemplo dos anos anteriores, esperava receber a cesta básica. ‘‘Fez muita falta neste Natal’’, lamenta. Ele atua na frente há quatro anos e recebe R$ 79,00 por quinzena.
O prefeito Luiz Eduardo Cheida diz que os R$ 180 mil referentes ao pagamento da frente de trabalho foram depositados no Banestado. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv) confirmou o depósito, mas explica que, por problemas no banco, o pagamento só deve sair na segunda-feira.
Ao obter esta informação, Francisco Araújo diz não acreditar que isso aconteça. ‘‘Quem garante que na segunda não vão nos enrolar de novo?’’, questiona. Ele tentou, inutilmente, receber o cheque do pagamento. ‘‘Pelo menos seria uma garantia e eu poderia trocar o cheque no comércio’’, alega.
(Lucília Okamura)

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