Atrás de assassinos, mãe se passa por prostituta
A dona de casa Zilá Ribeiro chora com as mãos na bíblia que o filho Nelson Ribeiro, estudante de 22 anos, carregava no dia em que foi assassinado, com um tiro no coração. Era a arma que ele carregava na bolsa, diz ela, secando as lágrimas, após ver as fotografias do filho. O crime aconteceu no dia 4 de novembro de 1997, em frente à Câmara de Vereadores, em Curitiba, quando Nelson voltava de um cursinho pré-vestibular.
Outras fotos, sobre a mesa da casa de Zilá, mostram a fisionomia de três homens, acusados do crime. Um deles, Edson Antônio Gomes, 39 anos, conhecido como Índio, está preso. Os outros dois, Alcione Maciel, 21 anos, o Bicudo, e Gilberto Lemos, estão soltos. Zilá Ribeiro não se conforma com a impunidade.
Para tentar prender os acusados, ela chegou a extremos. Com 51 anos, religiosa, Zilá abandonou o emprego e frequentou prostíbulos, passando-se por prostituta. Ela descobriu, por exemplo, que Alcione Maciel, que teria feito o disparo, está morando em Campo Mourão. Movida pela dor, Zilá conseguiu fotografias, nomes e endereços que foram entregues à polícia. O sacrifício parece ter sido em vão.
A polícia demora a fazer as prisões e cresce na cabeça de Zilá a vontade de fazer justiça com as próprias mãos. Se eu tiver certeza que a polícia não vai pegar (os acusados) eu mesma vou matar. Nem que seja a última coisa que eu faça, ameaça repetidamente. As mãos deles eu vou mandar para o (governador Jaime) Lerner, a cabeça para o Candinho (Cândido Martins de Oliveira, ex-secretário de Segurança do Paraná, que teria sido procurado por Zilá) e o restante do corpo para a cúpula da polícia, afirma.
Para Zilá, a polícia não tem investido na captura dos assassinos de Nelson porque não tem interesse. Para a Polícia é mais um caso. Eles não correm atrás. Se eu tivesse dinheiro, se fosse um sequestro, as coisas seriam diferentes, acredita.
O delegado Rubens Recalcatti, titular da 1ª Delegacia de Furtos e Roubos, disse que a polícia está fazendo o possível para localizar os dois acusados foragidos. É como procurar uma agulha num palheiro. Eles vão ser presos, mas é uma questão de tempo, disse. Recalcatti disse que entende e considera normais as cobranças de Zilá, mas não concorda que a polícia esteja colaborando com a impunidade. Segundo o delegado, a polícia de Curitiba realiza investigações em conjunto com o delegado de Campo Mourão, Roberval Butacine, mas que mesmo assim há dificuldade em localizar os suspeitos. (J.A.)





