ATRAÇÃO NO CÉU
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domingo, 14 de abril de 2002
Rosângela Vale Reportagem Local 
O vaivém no Parque Ney Braga, onde foi realizada a 42ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, teve um ritmo diferente ontem à tarde. Foi ficando mais lento à medida em que o barulho dos motores que cortavam o ar tornava-se mais frequente. Até que, quase hipnotizado pelo show que começava, o público parou, desviou a atenção dos estandes, dos animais e dos brinquedos. E grudou os olhos no céu. Começava mais uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça, que este ano ganhou novas cores. O vermelho dos aviões foi substituído pelo verde, amarelo e azul da bandeira nacional.
Tradicional atração de encerramento da feira, a esquadrilha não se apresentou ano passado, pois os aviões tiveram que passar por uma revisão estrutural depois que a Embraer verificou um desgaste na estrutura das asas. Mas quem compareceu ao último dia da Expo 2002 pôde matar as saudades dos malabaristas do ar. A cada acrobacia que desenhava rastros no céu, as reações se multiplicavam pelo parque. Gritos de excitação das crianças, cara de espanto dos adultos, alguns boquiabertos diante da queda em parafuso, do cruzamento das aeronaves que quase se chocavam a poucos metros acima da multidão e do vôo de cabeça para baixo de seis aviões, a apenas um metro e meio de distância um do outro, manobra realizada, no mundo todo, apenas pela Esquadrilha da Fumaça.
Mesmo depois de já ter visto o espetáculo duas vezes, a dona de casa Irani Turra não se continha diante das manobras. Sempre me surpreendo, mas morro de medo de eles tombarem, revelou. Também emocionada com o show, a estudante Luciane Budian disse não temer acidentes. São profissionais, sabem o que estão fazendo, observou. Muito bom, ótimo, esplêndido, definiu a costureira Janice Benatti, de Apucarana, que foi à exposição motivada pela apresentação da esquadrilha.
De acordo com a assessoria de imprensa do evento, passaram pelo parque, até sábado, 738.827 pessoas (levantamento parcial). O número recorde de público foi sexta-feira, com 153 mil pagantes. Para alguns comerciantes, entretanto, poderia ter sido melhor. Não foi aquilo que a gente esperava, mas não foi ruim, comentou o vendedor Marcos Alberto Raimundo, que calcula ter vendido cerca de dois mil cachorros-quentes nos 10 dias de Feira. Já para o vendedor de churros Roberto da Silva, foi pior do que o ano passado. Esperávamos vender o dobro. A entrada estava cara demais, reclamou.
No Pavilhão Nacional, o saldo da feira agradou alguns e decepcionou outros. Esse ano foi ótimo. Só deu uma caída nas vendas no meio da semana, mas a gente não tem do que reclamar, afirmou a vendedora Silmara Ferreira, que estima ter comercializado aproximadamente 200 bolsas de couro. Malise Persuhn, de Camboriú, que participou da exposição pela primeira vez, também estava satisfeita. Ela comercializava marionetes e vendeu cerca de R$ 5 mil.


