Ator simula assalto para contar história do Brasil
Um forte soco na porta da sala e um grito estrindente. Começa assim a perfomance do ator Milton Petrella, que simula um assalto para contar em poucos minutos aos estudantes, de maneira crítica, satírica e bem-humorada a história do Brasil nos últimos 34 anos; ou seja, desde o golpe militar de 31 de março de 1964.
O que era para ser um monólogo logo se transforma numa apresentação teatral - também chamada de interferência, por causa da rapidez - com intensa participação dos alunos, que passam a desempenhar alguns papéis de coadjuvantes. Com o rosto maquiado ao estilo palhaço de circo, Milton dispara seu texto para todos os lados, como uma metralhadora giratória.
As apresentações do Grupo Assalto, criado por Petrella em São Paulo em 90, acontecem nas universidades, em restaurantes, em praças e outros locais abertos e fechados. Ele próprio escreve os textos e dirige a montagem, que conta com outros dois atores quando está em São Paulo. A Londrina, ele veio a convite do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde fez dezenas de apresentações na última semana. Nesta, ele pretende levar a encenação para o Cesulon e Unopar.
Eu não tenho nenhum dente, mas estou muito alegre porque vou poder votar para presidente. Canta o ator no início da apresentação, para em seguida retornar no tempo ao dia 31 de março de 64. De lá para cá, fala das agruras que a população brasileira passou, independente de qual presidente estivesse de plantão no poder em Brasília. E o povo sempre repetindo: pior do que está, não pode ficar.
Mario CesarPerformanceO ator Milton Petrella passa o chapéu e consuma o assalto na UELO general Figueiredo, o biônico Tancredo Neves, o imortal Sarney, o caçador de marajás Collor, e o intelectual Fernando Henrique Cardoso são os personagens principais - e também mais malhados - desta história, que mistura poesia, interpretação, comédia e alegria. Apesar de ser crítica e fazer pensar.
Formado em propaganda e publicidade pela Universidade de São Paulo em 92, Milton Petrella vive de produzir e montar peças teatrais pelo Brasil afora. Durante anos, ele foi o baterista da banda Ratos do Porão, tendo gravado oito discos na época do vinil. Ele também inventa, cria hestórias e vende para artistas renomados. Já teve material aproveitado pelo escritor Paulo Coelho, pela banda Titãs, pelo músico londrinense Arrigo Barnabé, e pelo cineasta Cacá Diegues.
Ao final de cada apresentação, ele consuma o assalto passando o chapéu e solicitando a colaboração espontânea em moeda corrente. Agradece ao professor pelo tempo cedido - e previamente combinado - e pede desculpa aos estudantes pelo susto. Fecha a porta e vai embora para a sala vizinha, deixando para trás muitos aplausos.Mario CesarEu não tenho
dente mas estou
alegre: vou votar
para presidenteOsmani Costa





