Milton DóriaContestaçãoPercy Galimberti: ‘É uma atividade altamente lucrativa’Um ato público hoje, a partir das 8 horas, no Calçadão, marca o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Em Londrina, as atividades serão desenvolvidas pela Associação Londrinense de Saúde Mental, presidida pela professora Marina Isabel Martins. ‘‘Queremos levar à população o conhecimento da data e os objetivos da luta por uma sociedade sem manicômios’’, diz.
A associação é formada por voluntários que pretendem conscientizar a população para mudar o quadro cultural responsável pela segregação e marginalização dos doentes. ‘‘É preciso construtores de cidadania que sejam solidários e tolerantes, capazes de conviver com as diferenças’’, defendem os membros da entidade.
Durante a manifestação serão distribuídos panfletos com informações sobre a entidade e a necessidade de ‘‘tratar e cuidar do doente mental, enfrentar a dor do sofrimento mental e superá-la’’. A desinformação e o desconhecimento por parte de familiares, entendem os membros da Associação Londrinense de Saúde Mental, têm servido para legitimar a exclusão dos doentes mentais.
A associação reconhece a importância das formas alternativas de tratamento, que dispensam internações por períodos acima de seis dias. O atendimento, segundo eles, deve ser prestado não mais por uma equipe na qual o médico dê a palavra final, mas por profissionais que observem a conduta interdisciplinar.
Integrante da associação, o médico psiquiatra Percy Antonio Galimberti, ex-coordenador do setor de saúde mental da Autarquia do Serviço Municipal de Saúde, diz que, além da falta de informação das famílias, há ainda o interesse econômico gerado pelas internações prolongadas.
Galimberti revela que cada doente mental gera uma receita de R$ 800,00 por mês aos manicômios. ‘‘É uma atividade altamente lucrativa’’, atesta o médico psquiatra. Segundo ele, há hospitais psiquiátricos que mantêm pacientes internados no período de até 45 dias.
‘‘A sociedade precisa entender que o doente não é um E.T. e parar de rotulá-lo’’, diz Marina Martins. Ela conta que seu irmão, de 30 anos, que nunca teve problema de saúde, foi acometido por um surto psicótico. ‘‘Qualquer um pode estar predisposto a isso’’, diz a professora. ‘‘Não deixamos que ficasse internado, ele foi atendido em hospital-dia’’, ela acrescenta. ‘‘E ele retornou à vida.’’
Serviço: As pessoas interessadas em obter mais informações sobre Associação Londrinense de Saúde Mental podem entrar em contato pelo fone (043) 348-3077.

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