Ato pela paz reúne 15 mil pessoas em Foz
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segunda-feira, 12 de novembro de 2001
Alexandre Palmar<br>De Foz do Iguaçu 
Cerca de 15 mil pessoas participaram ontem de um ato ecumênico e cultural em Foz do Iguaçu em resposta às informações divulgas pela mídia nacional e internacional apontando a tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) como foco de terrorismo. O evento ''Paz sem fronteiras'' foi realizado no Gramadão da Itaipu Binacional, na Vila A, com o objetivo de pedir a paz mundial e o fim ''da campanha difamatória contra a região''.
A chuva no começo da tarde atrapalhou as expectativas dos organizadores, que esperavam 40 mil pessoas. O evento começou às 18 horas, com a execução dos hinos nacionais dos três países, leitura de mensagens de religiosos e de líderes políticos, entre eles do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O encerramento estava previsto para acontecer às 22 horas, com o show do grupo Roupa Nova.
Os participantes defenderam as 65 nacionalidades e 23 religiões representadas na região. Também saíram em defesa da comunidade árabe, composta por cerca de 12 mil imigrantes e descendentes. Os mulçumanos da fronteira são acusados de abrigar e financiar terroristas. A colônia nega. Desde o atentando aos Estados Unidos, em 11 de setembro, nenhuma acusação foi comprovada, apesar das buscas feitas pela Polícia Nacional do Paraguai.
Segundo a líder da comunidade budista, Tau Ke, as guerras devem ser encerradas. ''Quantas pessoas morreram por causa de diferenças religiosas. Pedimos hoje sabedoria para diminuir as diferenças dos povos'', discursou. A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) comunicou que as mensagens de paz serão divulgadas nos cinco continentes.
Para o governador Jaime Lerner (PFL), que participou do evento, o movimento ''Paz sem Fronteiras'' é uma demonstração de ''tolerância, respeito e solidariedade dos povos. ''Vamos dizer não ao terror. O Paraná tem a preocupação com os árabes e judeus, negros e brancos. Eu sou filho de imigrante'', disse. Lerner é descendente de polônes e judeu. Segundo o senador Álvaro Dias (PDT), os habitantes da região trinacional ''são ordeiros e merecem ser respeitados''.
Outro objetivo do manifesto é tentar reverter a queda de 30% no turismo local ocasionado com as notícias negativas. O setor é a principal fonte de renda do município. Para o presidente do Iguassu Convention & Visitors Bureau (ICVB), hoteleiro Marcelo Valente, a economia da cidade foi ''profundamente prejudicada por causa das notícias falsas''.
O ato também foi marcado pelo protesto de estudantes da Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste), que criticaram o descaso do governador Jaime Lerner com a educação pública. Já militantes políticos distribuíram panfletos questionando como alcançar a paz com as desigualdades sociais do Brasil.


