Ato para lembrar Chacina da Sé
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terça-feira, 19 de agosto de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina - Em 19 de agosto de 2004, sete moradores de rua que dormiam na Praça da Sé, localizada no centro de São Paulo, foram assassinados, no episódio que ficou conhecido como a Chacina da Sé. No mesmo ato outros oito moradores de rua ficaram feridos em uma das páginas mais vergonhosas da história recente em relação à violação dos Direitos Humanos. O Movimento Nacional de População de Rua (MNPR) estabeleceu a data como Dia de Luta e o núcleo de Londrina realizou na tarde de ontem um ato na Concha Acústica, área central, com a presença de cerca de 200 pessoas.
O coordenador do núcleo londrinense do MNPR, Milton Santana Filho, declarou que no Paraná os direitos dessa população também são violados o tempo todo, inclusive pelo poder público. Ele morou durante 10 anos nas ruas e recentemente deixou as ruas para voltar para a casa da família .
Santana Filho relembrou que um de seus amigos que morava nas ruas de Londrina morreu queimado em Londrina em outubro do ano passado e até hoje não se sabe quem é o autor do assassinato. "Nós chamávamos ele de Paraná. Convivíamos nos abrigos, tomávamos sopa juntos e frequentemente nos encontrávamos, mas ele foi morto e até hoje o crime permanece sem solução", cobrou.
O coordenador relembrou que em dezembro de 2009 o governo federal instituiu a Política Nacional para a População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento pelo decreto nº 7.053, mas que as políticas públicas efetivas estão longe de serem implantadas.
No ato realizado ontem, defensores públicos estiveram presentes para orientar as pessoas sobre como proceder. Muita gente deixa de procurar ajuda do poder público por ter sido condenado por algum crime e temem ser detidos. "Acreditamos que cerca de 120 pessoas em Londrina não procure a Assistência Social por esse motivo", destacou Adriano da Silva Araújo, da Defensoria Pública Estadual.
A programação do evento contou com apresentações de hip hop, batalha de rimas, cortes de cabelo e exames de saúde gratuitos. O ponto alto foi um abraço simbólico na Concha Acústica.


