''O HU prossegue sua rotina com as sobras da violência e está agora pedindo paz.'' A mensagem abriu o ato que relembrou, na manhã de ontem, um ano da morte da enfermeira Suely Aparecida de Souza, que em abril do ano passado foi vítima de uma bala perdida enquanto jantava com a família em uma pizzaria do Jardim Monte Belo, na Zona Sul de Londrina.
Ontem, familiares e colegas de trabalho da enfermeira organizaram uma manifestação em frente à entrada principal do Hospital Universitário. Foram distribuídos lenços brancos, fitas e balões com pedidos de paz. Enquanto o coral formado por servidores do hospital apresentava canções sobre a amizade, os participantes acenavam os lenços em homenagem a Suely. Em seguida, os lenços foram amarrados no ''varal da paz'', que tomou toda a lateral do prédio.
''Na escuridão o teu olhar nos iluminava, a nossa estrela guia era o teu riso.'' A mensagem da família foi disseminada numa faixa, carregada por duas irmãs de Suely. Um painel criado pelos funcionários do HU também ilustrou dois momentos da violência na cidade. De um lado, recortes de reportagens que tratavam de crimes que assolaram a cidade no último ano. Do outro lado, matérias ressaltando ações positivas para a criação de uma cultura de paz.
Conforme a servidora pública Maria Helena Sabatini Barbosa, que ajudou a organizar o ato, Suely tornou-se um símbolo de clamor pela paz para os colegas de trabalho. ''O pessoal ficou indignado e resolveu ajudar em tudo o que puder para difundir uma cultura de paz na sociedade. Começamos ajudando o movimento Londrina Pazeando'', informou Maria Helena, que conhecia bem a colega enfermeira. ''Ela era uma pessoa muito para cima.''
Sem conseguir conter o choro, a mãe de Suely, Maria do Socorro Souza, contou que a vida da família, desde a morte da filha, tem sido de muita saudade. ''Sei que nada trará a minha menina de volta. Com a violência perdemos o direito de ir e vir, mas as pessoas não podem sair por aí matando o filho da gente assim'', desabafou Maria do Socorro, agradecendo a solidariedade demonstrada pelos companheiros de trabalho da filha. ''Vocês provaram que amavam a minha filha como ela amava vocês'', declarou.
No ato também estavam presentes familiares de outras vítimas da violência. Luis Rossi, pai da estudante Amanda Rossi, asfixiada em 29 de outubro no ano passado no campus da Universidade Norte do Paraná (Unopar), defendeu que o problema da violência não é só de polícia, ''é de escola e trabalho também''. ''Não quero parar de falar e acredito que só a sociedade organizada pode cobrar mudanças.''
O presidente da ONG Londrina Pazeando, Luis Cláudio Galhardi, ressaltou que ainda ontem o governo federal reeditou uma Medida Provisória que retomará a campanha a favor do desarmamento no Brasil. Segundo ele, serão investidos mais de R$ 40 milhões no programa.
Ainda conforme Galhardi, um relatório divulgado pelo Ministério da Saúde apontou que depois da criação do Estatuto do Desarmamento, o número de homicídios diminuiu 12% no País. Assassinatos são a terceira maior causa de morte no Brasil, perdendo apenas para problemas cardíacos e cerebrais. ''É certo que quanto menos armas tivermos nas ruas menos mortes acontecerão'', defendeu.

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