O Centro de Direitos Humanos de Londrina e o Grupo de Apoio a Familiares Vítimas de Violência realizaram ontem pela manhã, no Calçadão de Londrina, um protesto para chamar a atenção da comunidade sobre atos de violência praticados pela Polícia Militar.
O caso mais grave é o do adolescente J.O.T., 15 anos, baleado no mês passado com dois tiros por policiais militares durante uma operação para identificar assaltantes no Jardim Maracanã, zona oeste de Londrina. O adolescente ficou paraplégico e teve ainda fratura exposta no braço esquerdo.
Ontem, ele participou do protesto juntamento com seus familiares que pedem justiça. A família de J. é pobre e não tem condições de cuidar do adolescente, que está sendo assistido por uma tia. O rapaz afirma que foi vítima da chamada ‘‘roleta russa’’, depois de ter sido retirado de casa, enquanto dormia. Testemunhas confirmaram essa versão à polícia.
A versão da PM é que o adolescente estava armado e reagiu ao ser abordado na rua. Ainda segundo a PM, de dentro da viatura descaracterizada o rapaz tentou atirar contra o policial que dirigia o veículo. Mas a PM não soube explicar por que o adolescente não foi revistado ao ser preso. As testemunhas afirmaram que o rapaz foi retirado à força de casa, preso e algemado, sem camisa. O Comando do 5º Batalhão da Polícia Militar abriu inquérito militar para apurar o caso, mas o processo ainda não foi concluído. A Polícia Civil também abriu inquérito.
Ontem, os manifestantes entregaram uma carta aberta à população para denunciar o episódio. Reportagens e fotos de outros casos de abuso por parte da PM também estavam expostos em varais e faixas. Cópias desse material e também dos depoimentos da vítimas foram encaminhadas para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados Federais, em Brasília, e para entidades internacionais de Direitos Humanos.
O presidente do CDH de Londrina, Jorge Custódio Ferreira, disse que, no caso específico de J., a polícia cometeu vários tipos de irregularidades na abordagem e por isso os policias envolvidos na ação devem ser julgados pela Justiça comum. ‘‘Entraram na casa do garoto sem mandado judicial, sem autorização dos pais dele, sem farda e ainda com o intuito de investigar um suposto crime, algo que não compete a PM e sim a Polícia Civil’’, disse.
Anteontem, o CDH entregou um dossiê com todos os casos de abuso por parte da PM de Londrina ao secretário estadual de Segurança Pública, José Tavares. A entidade também solicitou a criação de uma Ouvidoria de Polícia para a região de Londrina.
J. está precisando de roupas, cesta básica, fraldas e de uma cadeira de roda, já que a que está usando é emprestada. Quem puder ajudar deve entrar em contato com o CDH pelo telefone 342-7564.

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