A maioria dos oficiais da Polícia Militar em Londrina concorda com o movimento das mulheres e não vê insubordinação no ato dos cerca de 350 militares que anteontem viraram as costas e vaiaram o comandante do 5º Batalhão, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, gritando palavras de ordem. ‘‘Principalmente porque a gente sabe que aquilo não foi um ato dirigido ao tenente-coronel que, sozinho, não pode autorizar aumento salarial. Aquilo foi dirigido ao governador Jaime Lerner, comandante-em-chefe da PM’’, explicou.
Um oficial informou à Folha que o ato de virar as costas é um símbolo. ‘‘Até algum tempo atrás, quando alguém era expulso da PM, havia uma cerimônia onde todos os presentes viravam as costas àquele que estava saindo da corporação. Era a humilhação final para quem deixava as fileiras em desonra. O pessoal, em Londrina, expulsou o Lerner’’, contou.
Em Curitiba, um coronel da reserva disse que a atitude não era vista há cerca de 50 anos no Estado. Com mais de 30 anos de carreira, o militar garantiu que a PM paranaense não emprega mais esse procedimento para expulsar um policial condenado por mau comportamento. Quando era executado, o ritual previa que as divisas do policial também fossem arrancadas perante toda a tropa. Restava ao policial sair imediatamente do quartel.
O comandante Robenson Máximo Fim não quis comentar o episódio. Segundo ele, a decisão de punição é do comando-geral, ‘‘conforme já foi noticiado pela mídia’’, disse. Mas antecipou que nada será feito no momento. ‘‘Temos que aguardar o desfecho do caso’’, declarou. Máximo Fim afirmou que o movimento das mulheres e a reação dos PMs eram ‘‘previsíveis’’. ‘‘Mas não achava que iriam chegar a este ponto’’, lamentou. Para ele, o fato foi esclarecedor. ‘‘Serviu para testar o nível de disciplina dos policiais de Londrina’’, apontou.

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