O cabo do 6º Batalhão de Polícia Militar de Cascavel, Manoel Francisco Nunes, 29 anos, que comanda o Destacamento de Santa Lúcia (58 quilômetros ao sul de Cascavel), recebeu voto de congratulações da Assembléia Legislativa, proposto pelo deputado Irineu Colombo (PT) por ‘‘ato de bravura’’ e pelo relacionamento mantido com a população. A Câmara de Vereadores local também consignou o mesmo tipo de homenagem ‘‘pelos serviços em defesa da população’’.
O cabo Manoel Nunes diz que gostaria que as homenagens que recebeu servissem para mostrar que ‘‘o horror’’ das imagens da televisão sobre violência policial ‘‘são fatos isolados’’. Um dos episódios que motivaram o reconhecimento ao policial ocorreu em 19 de maio do ano passado. Durante um show em praça pública, um homem embriagado e armado investiu contra um menor. O cabo, que estava de folga (era um domingo), tentou detê-lo.
O bêbado deu um tiro, que atingiu a perna do policial. O PM não sacou o revólver, dominando-o sem violência. ‘‘Se eu usasse a arma poderia atingir alguma outra pessoa’’, relata o cabo, que ficou 30 dias inativo por causa do ferimento. O subcomandante do 6º BPM, major Rubens Lube, afirma que o ‘‘exemplo’’ do cabo Manoel Nunes indica que ‘‘não se pode generalizar injustamente’’ em críticas a policiais. ‘‘Lamentavelmente, por causa de alguns se compromete a imagem de todos’’, argumenta.
Segundo o major, o desvio de comportamento de policiais deve ser entendido como ‘‘exceção’’ e não pode servir para espalhar o descrédito nas instituições. ‘‘No âmbito do 6º BPM, com 640 integrantes, a impunidade não existe’’, afirma. Ele relata que a partir de 96 o comando da unidade determinou a realização de 18 inquéritos (IPMs) e 15 sindicâncias disciplinares ou averiguações. O resultado foram cinco repreensões ou advertências, 67 detenções no quartel, 25 prisões e 15 expulsões de policiais.

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