Ato critica
‘abuso’ na
taxa da UEL
Secundaristas se unem contra os R$ 100
Célia Baroni

Palavra de ordemPasseata passa pela avenida Celso Garcia Cid antes de chegar ao Calçadão: coro contra taxa de R$ 100Estudantes secundaristas de escolas públicas de Londrina se reuniram ontem de manhã no Calçadão, em frente ao Banco do Brasil, no centro da Cidade, para protestar contra o aumento da taxa de inscrição do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A inscrição, que custava R$ 80,00 no vestibular de janeiro, passou para R$ 100,00 - um reajuste de 25%.
Cerca de 500 alunos do segundo grau do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) saíram do colégio em passeata, seguindo pela Rua Brasil até a rua Celso Garcia Cid e subindo até o Calçadão. Em coro, gritavam: ‘‘Contribuir; eu vou pensar. Mas R$ 100,00 eu não vou pagar’’.
O presidente do Grêmio Estudantil do IEEL, Odarlone Santos, acusou a UEL de ‘‘abuso’’. ‘‘O governo fala em deflação, o salário mínimo é reajustado em 8%. A UEL não está considerando a realidade das famílias e dos estudantes. Está discriminando e dificultando ainda mais o acesso ao ensino superior.’’
Organizado pelo Fórum de Apoio aos Estudantes de Londrina, composto pelas entidades estudantis da Cidade, a manifestação pediu que a UEL passe a elaborar o seu próprio vestibular. ‘‘A UEL tem profissionais competentes e uma estrutura capaz’’, afirma Adriano Scheffer, coordenador do Fórum.
Os estudantes criticaram ainda os critérios estabelecidos pela UEL para conceder a isenção da taxa de matrícula. ‘‘Quem é proprietário de linha telefônica não pode pedir isenção e quando pedem a renda familiar consideram até a aposentadoria recebida pelos avós’’, reclama Odarlone Santos. Segundo ele, só quem comprova uma renda familiar de até um salário mínimo e meio - R$ 195,00 em valores de maio - pode esperar ter seu pedido de isenção atendido.
‘‘A UEL não vai voltar atrás no valor cobrado pela matrícula. Temos custos já previstos para a realização do vestibular e não há como alterá-los’’, informou ontem o reitor em exercício, Décio Barbosa. Sobre os critérios de isenção, Barbosa adiantou que desde a implantação do benefício, em setembro de 95, já foram atendidos 7 mil estudantes. ‘‘Os critérios são iguais para todos e se alguém se julgar injustiçado pode pedir a revisão do seu requerimento.’’
As inscrições para o vestibular de julho - o 50º da história da UEL - estão abertas e prosseguem até sexta-feira à noite. Décio Barbosa adiantou que 15 mil pessoas já se inscreveram e a universidade trabalha com a estimativa de ultrapassar o número de inscritos no vestibular de julho do ano passado, que foi de 20 mil.
O reitor em exercício comentou sobre a elaboração das provas. ‘‘A escolha da Fundação Carlos Chagas é uma opção da universidade, que tem priorizado sempre a qualidade e segurança do exame.’’

mockup