Atleta incentiva sonhos no tatame
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Fernando Klein<br>Especial para a FOLHA 
Apucarana - Graças ao karatê, o paulistano radicado em Apucarana Alan Pereira da Silva conheceu 27 países. Além da América Latina inteira, competiu na Rússia, Escócia e na antiga Iugoslávia. Como a modalidade não é olímpica, praticou o esporte graças ao apoio de empresários da cidade e muita força de vontade. Hoje, aos 25 anos de idade, está deixando aos poucos as competições, mas não os tatames. No último dia 15 de julho, Silva comemorou um ano do projeto ''Karatê Vida'', desenvolvido com cerca de 300 crianças carentes em Apucarana.
Reconhecido no esporte - Alan conquistou mais de 20 títulos paranaenses, nacionais, sul-americanos, regionais, entre outros -, o atleta agora se dedica a levar a meninos e meninas de Apucarana lições que aprendeu com a arte oriental. ''Caráter, sinceridade, respeito, autocontrole e, principalmente, persistência são os principais fundamentos que ensinamos nas aulas. Queremos que os alunos aprendam que nunca devem desistir de seus sonhos'', afirma o karateca, que representou a Seleção Brasileira em três mundiais da categoria - sua melhor colocação foi um terceiro lugar em 2002 na antiga Iugoslávia. No Pan-Americano do Rio de Janeiro, no ano passado, a maior frustração da carreira. Machucou o pé nas seletivas e acabou ficando apenas como reserva.
Alan começou sua história no karatê quando tinha 7 anos de idade. ''Sempre fui muito agitado'', revela. De praticante de futebol (chegou a treinar na escolinha da Portuguesa Santista), ele encontrou na arte marcial a sua paixão. ''Vi que o futebol não era o meu forte, mas sim a luta'', brinca.
O projeto Karatê Vida é desenvolvido em dois bairros (Dom Romeu Alberti e Jardim Ponta Grossa) e em parceria com o Corpo de Bombeiros (Bombeiro Mirim) e o 30º Batalhão de Infantaria Motorizado (Projeto Força no Esporte - Profesp). A partir do segundo semestre, Alan também levará as aulas de karatê para as 17 crianças atendidas pelo Abrigo do Menor. O trabalho é bancado por 15 parceiros.
''Eu e mais outro professor recebemos salário fixo. As crianças não pagam nada'', afirma. Ele explica que cada aluno ganha um quimono para participar das aulas, tendo como contrapartida boas notas e frequência na escola. ''Se a criança não tiver nota azul, nós tiramos o quimono e ela deixa de participar da atividade. Apenas volta para o projeto após se dedicar aos estudos'', conta o karateca, que está concluindo o curso de Educação Física na Fafimam (Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Mandaguari). ''Sempre tive dificuldades em me manter no esporte. Consegui graças ao apoio de empresários e muita perseverança. Quero agora passar essa minha experiência e mostrar as crianças que é possível acreditar nos sonhos'', afirma.


