Atlas revela as muitas caras de Londrina
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Chega a ser redundância mas nunca é demais lembrar que uma cidade como Londrina expõe diferenças tão grandes quanto seu tamanho. Cada região, cada bairro, cada rua, cada casa, concentra realidades específicas que, em conjunto, forma o variado mosaico que compõe a urbe. Para facilitar o entendimento e contribuir com a disseminação de informações, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) reuniu todas estas singularidades da vida urbana local em um conjunto de mapas batizado de Atlas Urbano.
Os mapas valorizam a vida em comunidade, iluminam cenários decorrentes da desigualdade social e possibilitam conhecer algumas curiosidades. Onde ficam as áreas ocupadas irregularmente? Quem são os londrinenses sem acesso à água tratada? Por que ricos e pobres se assemelham quando o assunto é poluição dos rios?
O trabalho foi desenvolvido pelo grupo de pesquisa Imagens, Paisagens e Personagens (IMAP&P), composto pelos professores do Departamento de Geociências da UEL Omar Neto Fernandes Barros, Mirian Vizintim Fernandes Barros, Rosely Archela e Lucia Batista Gratão, em parceria com os pesquisadores Hervé Théry e Neli Aparecida de Mello, da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fundação Araucária. A primeira versão foi publicada em formato digital. Agora, entre agosto e setembro, a Editora da UEL (Eduel) vai lançar o atlas em livro.
O atlas reúne informações ambientais, sociais e econômicas de todas as regiões, que retratam como vive a população urbana e revelam as diferenças da qualidade de vida entre as regiões. A maior parte das informações que geraram os mapas compõe o Censo Populacional do IBGE de 2000, último levantamento mais preciso. Outros dados mais específicos foram apurados pela própria equipe do IMAP&P.
Contrastes
A publicação revela os contrastes da cidade. E comprova que quando se visa a qualidade de vida nas grandes metrópoles é impossível separar pobres e ricos, porque os problemas e suas soluções dependem da contribuição de toda a comunidade.
Um exemplo é a bacia hidrográfica do Ribeirão Cambé, uma das principais de Londrina, afetada pela poluição gerada na periferia e também nas áreas mais nobres. Com mais de 56 mil quilômetros quadrados, ela aflora como um fio dágua no extremo oeste e vai escorregando na direção oposta. Seus trechos mais famosos são os lagos Igapó. Em sua porção mais periférica, as ligações clandestinas de esgoto doméstico e de empresas despejam na bacia todo tipo de resíduos. Em sua porção mais nobre, o movimento de terras provocado pela construção civil entope de terra o leito dos
lagos.
Afastados por quilômetros de distância, moradores dos extremos Norte e Sul também se aproximam no quesito expansão urbana: na parte nobre (Sul), os condomínios de luxo se multiplicam; já na região oposta (Norte), os loteamentos populares continuam empurrando a fronteira urbana cada vez mais longe.
Moradora do Jardim Catuaí, na Zona Norte, há cerca de quatro anos, só agora Maria Aparecida Muquem, 62 anos, se beneficia das vantagens do saneamento básico: Antes o esgoto corria na beira da calçada e tudo era muito difícil. Perto dali, o pedreiro Paulo Sérgio Bento, 33 anos, conta que se mudou há um ano para o Jardim Primavera, um dos mais recentes de Londrina. A gente tem tudo: água, esgoto, luz, coleta de lixo. Só precisa mesmo os moradores terem mais consciência e não jogarem lixo na rua, porque está entupindo os bueiros.


