Atlas mostra 84 mil ha desmatados
Atlas mostra 84 mil ha desmatados
Fabio Riesemberg
Especial para Folha
Mauro FrassonEntre as pegadas da Calçada da Fauna, estão a de 11 animais ameaçados de extinçãoCom a ameaça de desaparecimento de várias espécies de árvores e animais no Paraná, começa hoje em Curitiba uma série de atividades ligadas à preservação do meio ambiente e também de protestos de ambientalistas. No dia 5, sexta-feira, se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, mas a evidente ameaça de desaparecimento de símbolos do Estado do Paraná, como a harpia (espécie de águia) e a araucária não são motivos de festa.
O Fórum Pró-Conservação da Natureza no Paraná vai apresentar, na quinta-feira, um novo atlas da Mata Atlântica do Paraná, no auditório da Biblioteca Pública do Paraná. Segundo a ambientalista Tereza Urban, do Fórum, o mapa mostra imagens de satélite feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com a área de desmatamento da floresta e revela 84 mil hectares de área devastada entre os anos de 1990 e 1995. A área representa quase metade do Parque Nacional do Iguaçu.
o estudo mostra que o ritmo de desmatamento diminuiu: no período anterior - de 1985 a 1990 - haviam sido desmatados 144 mil hectares. A área de pinheiros representa 73% do corte nesses 84 mil hectares desmatados. A araucária é o tipo de flora mais ameaçada do Paraná e, se dependesse de mim, o corte seria imediatamente proibido, dispara Miguel Milano, diretor técnico da Fundação O Boticário, entidade que visa a conservação da natureza.
Segundo informa Clovis Schrappe Borges, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Proteção Ambiental (SPVS), existe somente 2% ou 3% de mata nativa em todo o estado e milhares de animais, mamíferos e invertebrados estão ameaçados. Não há nenhum dado que garanta que os 84 mil hectares de mata nativa do Estado não tenham aumentado desde 95, diz Borges.
Responsabilidade - Para Borges a conservação da natureza não é responsabilidade apenas do Estado, mas também da comunidade. Ele aponta um exemplo bem sucedido de mobilização a usina termoelétrica a carvão que seria instalada em Paranaguá. Durante todo o ano passado a comunidade local protestou e o governo desistiu do projeto. A reação do governo foi de muito bom senso e elogiável. É muito fácil dizer que o Estado é negligente. Algumas coisas têm que ser exigidas pela sociedade, senão não saem, diz.
Às 11 horas de hoje o Fórum Pro-Conservação da Natureza no Paraná faz um protesto contra a instalação das montadoras de automóveis na região de mananciais de água que abastecem Curitiba. Amanhã o Fórum também vai divulgar a 5ª Lista Suja do Paraná, com o nome dos 13 maiores responsáveis pela degradação do meio ambiente, entre políticos, empresários e autoridades.





