A divulgação do atlas pela Fundação SOS Mata Atlântica, que revela um Paraná campeão em desmatamento dos remanescentes florestais da Mata Atlântica, não surpreendeu as organizações não-governamentais (ONGs) e profissionais da área do meio ambiente. Dentre outras coisas, o levantamento constata que a culpa pela maioria dos desmatamentos é de órgãos públicos. O atlas revela ainda que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) são responsáveis pelo assentamento de famílias sem-terra em áreas de florestas e pelas autorizações para planos de manejo considerados ‘‘suspeitos’’.
Nos últimos cinco anos foram desmatados no Paraná 60.146 hectares de florestas naturais preservadas, o correspondente a 3,63% do que havia em 1995 – data do último atlas. O maior desmate neste período, de 27% do total, corresponde a uma única área de 16 mil hectares. O problema é que o local foi desmatado porque o Incra destinou a área, no município de Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a Oeste de Guarapuava), para fins de reforma agrária.
Segundo o advogado Vitório Sorotiuk, conselheiro de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Paraná, este desmatamento viola a Constituição do Paraná, que prevê que áreas remanescentes só podem ser usadas baseadas em projetos de manejos sustentados. ‘‘A culpa é do Incra. Os sem-terra lutam para ter terras, mas é responsabilidade do órgão determinar as áreas a serem utilizadas’’, disse.
O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR), Luiz Antonio Rossafa, também foi duro em relação a outro problema levantado: a concessão de planos de manejo licenciando o corte de madeira em áreas de preservação. ‘‘Nós vamos agir firmemente, como prevê nosso Código de Ética, sobre os profissionais que emprestam os nomes para destruir o patrimônio histórico do Paranᒒ, afirmou.
O biólogo Ricardo Britz acrescentou que o desmatamento crescente no Paraná não é um fato novo. ‘‘Já sabemos disso desde o último atlas, em 1995’’, reclamou. Ele acredita que o detalhamento da situação em cada região é fundamental para que o Estado e prefeituras definam as ações necessárias. ‘‘Há lugares que precisam ser preservados e outros onde é preciso recuperar áreas.’’ Clóvis Borges, diretor da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), vai mais além. ‘‘Há 15 anos já sabemos que a situação das florestas é crítica, mas a sociedade resolveu acabar com as araucárias, especialmente os madeireiros, que decidiram raspar o tacho.’’
Todos defendem que o trabalho da SOS Mata Atlântica é bastante importante, pois constitui um diagnóstico detalhado da situação das florestas em cada região do Brasil.

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