Londrina - As relações desiguais entre os gêneros, que acontecem por discriminação e preconceito arraigados em uma sociedade patriarcal, acabam gerando muita violência contra as mulheres, seja ela física, sexual ou moral.
Para combater essa violência foi lançando ontem em Londrina a campanha "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres" .
Segundo Elaine Galvão, socióloga da Secretaria Municipal de Política para as Mulheres, a campanha ajuda a discutir a violência de gênero, sexual, étnico-racial, contra as minorias de um modo geral. "Em Londrina temos um trabalho em rede, pelo qual são articulados vários projetos, porque o combate à violência contra a mulher envolve não só a punição, mas também a atenção e o cuidado com as vítimas", destacou. "Os casos de violência sexual acabam naturalizando a mulher como objeto sexual, mas para a gente mudar não basta oferecer um serviço de atendimento às vítimas, mas há a questão cultural. Essa campanha dá visibilidade sobre a responsabilidade dos homens no combate a esse problema."
A socióloga explicou que o problema é histórico e cultural de uma sociedade patriarcal, na qual o homem acredita que tem poder e autoridade sobre as mulheres. "Essa ideia foi construída ao longo de séculos e só recentemente temos conseguido uma legislação que visa equiparar o poder da mulher ao homem. Ainda hoje vemos notícias de violência sexual em trote de calouros, e isso precisa ser combatido por vários meios. Muitas vezes as próprias instituições acabam se omitindo sobre isso. É preciso que essas violências sejam combatidas de forma mais efetiva em todos os espaços que elas acontecem", afirmou.

Registros
A psicóloga e gerente do Centro de Referência e Atendimento à Mulher (CAM), Patrícia Raboni, destacou que os números da violência são altos em Londrina. De janeiro a outubro deste ano foram acolhidos 201 casos novos e 30 casos recorrentes, além de 177 buscas ativas (orientações por telefone, atendimento de denúncias, ficha sinan). No Abrigo Canto de Dália foram atendidas 37 mulheres e 48 crianças e 6 adolescentes. Os setores de Psicologia e Serviço Social atenderam respectivamente 928 e 4.128 casos.
No ano passado, de janeiro a dezembro, foram acolhidos 163 casos novos e 42 recorrentes. No abrigo foram atendidos 38 mulheres, 50 crianças e 6 adolescentes. O Serviço Social atendeu 5.010 pessoas e o de Psicologia atendeu 1.070 mulheres. Desde sua inauguração em 1993 até outubro de 2014 o CAM já realizou aproximadamente 42 mil atendimentos.

mockup