Atividades profissionalizantes
Trabalhos com papel reciclado, confecção de embalagens, marcenaria, artesanato em madeira, pintura, bordado, confecção de estopas de tecido, cuidados com a horta estão entre as atividades oferecidas de acordo com a aptidão e identificação de cada um. ''Além disso, preparamos nossos alunos para o mercado de trabalho'', ressalta Vera Lúcia de Mello, coordenadora da sub-sede do Ilece, acrescentando que, só este ano, três alunos foram encaminhados para empresas.
''Quero trabalhar com colagem. Gosto de desenhar e de colar'', conta Gilmar Ferreira da Silva Alves, 25 anos. Aluno do Ilece desde os 19, ele diz preferir a instituição à escola estadual, onde estudou anteriormente. ''Aqui é mais legal, aprendi mais coisas'', compara.
Cristina Vieira, 23 anos, foi outra deficiente que conseguiu ingressar na instituição depois de jovem. ''Quando ela veio, era muito fechada, não conversava com ninguém. Hoje, é uma das líderes da reciclagem de papel, e até cuida dos outros alunos'' elogia a professora Solange Vieira. A mãe da estudante, Maria, também reconhece as mudanças da filha. ''Hoje, ela é mais alegre, ficou mais esperta'', admite.
Já o filho de Iraci de Jesus Lima, Diego, ingressou na instituição com pouco mais de um ano, e essa oportunidade ajudou-o a conquistar novas chances em sua vida. Hoje, aos 24, trabalha em uma grande empresa da cidade. ''Faz cinco anos que ele está lá, e adora. A gente batalhou muito para isso, e por isso hoje eu recomendo a todos os pais que persistam, porque vale à pena'', afirma Iraci, que hoje trabalha no Ilece.
O Ilece atende hoje 382 alunos de todas as idades, enquanto a Apae tem 330 alunos. Mas, para a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Londrina, Martinha Clarete Dutra, a solução não é aumentar o número de vagas nas instituições especializadas, mas, sim, promover a inclusão desses alunos nas escolas. ''É um absurdo ter fila e crianças fora da escola em pleno século 21, e ainda com os pais correndo o risco de ser penalizados por abandono intelectual. Essa criança precisa estudar na escola mais próxima de sua casa, sem segregação. Para tanto, é essencial que se invista em educação, mesmo porque, da forma como está hoje, a escola não é adequada para ninguém, tenha deficiência ou não'', defendeu, acrescentando que também é preciso reformular o atendimento das entidades especializadas. (A.I.)





