Atividades da Funai ficam paralisadas
A coordenadora substituta do escritório da Funai em Londrina, Darlene Bittencourt, afirmou que não existe previsão de retorno de uma coordenação regional para Londrina. Ela concordou que a mudança provocou um aumento das dificuldades enfrentadas pelos índios. Ela citou como exemplo os pedidos de passagens que eram providenciados no mesmo dia e agora dependem do recurso disponível, e mesmo assim pode demorar de três a quatro dias. Isso porque as solicitações precisam ser encaminhadas a Santa Catarina. "As ações ficam paralisadas. Antes nós íamos direto para as empresas de ônibus fazer a solicitação. Agora temos que fazer o pedido para Chapecó", ressaltou.
Darlene destacou que a coordenação técnica local de Londrina é responsável pelo atendimento das reservas de Apucaraninha, São Jerônimo da Serra, Mococa e Ortigueira. As dificuldades, porém, atingem índios de outros centros. O líder guarani da Aldeia Laranjinha, em Santa Amélia (Norte Pioneiro), Eloy Jacinto, reclamou que a CTL de Cornélio Procópio (Norte) não possui uma sede própria e que o escritório se resume a um carro da Funai. "Essa coordenação de Cornélio só existe no papel. Quando precisamos de algo precisamos vir a Londrina", informou.
A reportagem ligou para a assessoria de comunicação da Funai em Brasília e foi orientada a procurar o coordenador regional em Santa Catarina, João Maurício Farias, que estava viajando e não atendeu os telefonemas.
Questão cultural
Na esfera municipal ainda não há uma previsão de construção de abrigos. A secretária municipal de Assistência Social, Télcia Oliveira, reconhece que os índios estão em uma situação difícil e tem ciência de que a construção de abrigos para os índios na área urbana é necessária. Porém, ressaltou que não possui recursos. "Eu vou me empenhar para ver o que pode ser feito. Tenho levantado informações com pessoas da área técnica para ver quais as medidas emergenciais podem ser tomadas imediatamente", afirmou.
Télcia explicou que nesta semana ainda se reunirá com o prefeito Alexandre Kireeff e pretende se encontrar neste mês com representantes do Ministério Público Federal para avaliar quais atos podem ser tomados. "Trata-se de uma situação complicada porque não envolve somente acolhimento, mas toda uma questão cultural." (V.O.)





