Londrina - Os grafiteiros apostam que o apoio do poder público à arte poderia diminuir o número de pichações em Londrina. Adonias Nogueira dos Santos, 33, atua no mesmo grupo de trabalho que Huggo e Carão. Eles compartilham da ideia que a presença do grafite em espaços públicos poderia atrair a população para praças e locais que se tornaram alvo de atos de vandalismo. "O grafite aproxima as pessoas, transforma o lugar e também ajuda a conscientizar o pessoal que a arte é importante para a vida", ressalta.
Santos acredita que o grafite possa resgatar adolescentes e jovens que se tornam pichadores. "Cheguei a dar oficinas em uma escola estadual de Cambé (Região Metropolitana de Londrina). Os adolescentes adoraram, mas o projeto foi feito durante um ano. Depois não tinha mais recursos", destaca. "Na época que eu dava oficina de grafite, a meninada queria se profissionalizar, ficava interessada nos desenhos e quase não tinha pichação na cidade", lembra Huggo.
Os dois afirmaram que conhecem os pichadores e que eles respeitam os trabalhos dos grafiteiros. O número de pichações aumentou nos últimos meses em Londrina. Conforme o diretor Operacional da Guarda Municipal, Osmar dos Santos, 40 pessoas foram encaminhadas à delegacia no ano passado por serem flagradas no momento em que desenhavam símbolos nas paredes. Só neste ano, foram 15 prisões. "Intensificamos a patrulha durante a noite. O número de ocorrências ainda é maior no quadrilátero central", destaca.
Os pichadores são obrigados a ressarcir o dano causado, assinam um Termo Circunstanciado e podem ser multados pelo dano ambiental. Os proprietários de estabelecimentos comerciais que flagrarem a atuação dos grupos devem encaminhar as imagens das câmeras de segurança à Polícia Civil. Denúncias também podem ser feitas por meio do telefone da Guarda Municipal no 153. (V.C.)

mockup