A panfletagem é também uma boa fonte de geração de empregos em Londrina. Segundo informações da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), em julho pelo menos 140 pessoas, trabalharam no setor. Em junho o número foi ainda maior: 168.
O estudante Marcelo José Mariano, 17 anos, é um deles. Há três meses trabalhando na esquina da Rua Souza Naves com Avenida Juscelino Kubitscheck (centro), ele conta que distribui cerca 1,5 mil panfletos diariamente. ‘‘O serviço é tranquilo, não dá muito trabalho. O único risco é quando o sinal abre e a gente ainda está na rua, entregando um folheto. Mas se tiver cuidado não tem problema’’, diz ele.
Marcelo presta serviços para uma empresa de distribuição de material publicitário e trabalha com colete identificando a atividade. Ele informa que recebe R$ 3,00 para cada milheiro distribuído, o que representa aproximadamente R$ 120,00 por mês. ‘‘Estou contente com o serviço’’, diz.
Outro que vem ganhando a vida como panfleteiro é Adriano Silva Oliveira, 18 anos. ‘‘Comecei há 10 dias, mas já tinha trabalhado antes, por um período de seis meses. E é legal, não dá trabalho e dá para passar o tempo. O problema maior é o sol, que queima um pouco, e também os carros, quando o sinal abre. Mas é só’’, avalia. Ele também diz que distribui cerca de 1,5 mil panfletos diariamente.
Tanto Adriano quanto Marcelo comentam que a maioria dos motoristas aceita o panfleto sem problemas e dificilmente o joga no chão. Ainda assim, afirmam, são orientados para que recolham os papéis que ficaram no chão no final do dia. Marcelo afirma ainda que, quanto mais velho o automóvel, maior é a simpatia do motorista. ‘‘Os motoristas de carros mais novos são também, às vezes, os mais mal-educados.’’
Além dos panfleteiros, os catadores de papel de rua também procuram ganhar dinheiro com os folhetos, vendendo o material nos depósitos especializados. ‘‘Tem muito panfleto por aí, principalmente em porta de colégio, repartição pública e lixo de gráfica’’, diz o catador Jair de Souza, 41 anos.
‘‘O bom mesmo é o papelão. Com papel de panfleto não dá para ganhar a vida não’’, concorda Antônio da Silva, 52 anos. Ele anda por toda a cidade diariamente, às vezes até às 19 horas, atrás de papel. Conta que, em média, as distribuidoras pagam R$ 0,06 para cada quilo de papelão e papel jornal e R$ 0,12 para o papel branco. ‘‘Não é muito. Dá para ganhar um pouco mais de R$ 100,00 por mês’’, revela o catador.

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