Quem é fumante sabe o quanto pode ser difícil abandonar o vício de uma hora para outra. Assim, apostar em iniciativas que estimulem o abandono gradativo do cigarro pode ser uma boa opção. Este é o caso de quem opta pela prática de atividades físicas.
Não é de hoje que a atividade é considerada por especialistas um aliado importante contra o cigarro. Pesquisas realizadas pelo Instituto Municipal de Investigação Médica de Barcelona, na Espanha, e pelas universidade de Minnesota e Pensilvânia, nos EUA, comprovam que uma quantidade de moderada a alta de atividade física está associada ao menor declínio da função pulmonar, reduzindo em 21% o risco de desenvolvimento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e em até 35% o risco de câncer de pulmão em comparação com fumantes sedentários.
E não é só a melhora da função pulmão que a atividade física pode proporcionar. Segundo pesquisadores do Laboratório de Pesquisa em Fisioterapia Pulmonar no Hospital Universitário de Londrina, o prazer experimentado após a prática da atividade física seria muito semelhante à sensação de quando se fuma um cigarro, o que auxiliaria na diminuição gradativa do consumo de maços diários.
''Quem pratica atividade física fuma menos ao longo do dia. As sensações de bem-estar das endorfinas liberadas durante o exercício, o próprio ambiente saudável da corrida com menos fumantes e a vontade de se cuidar são aspectos que influenciam nessa redução e numa possível interrupção do tabagismo'', afirma a fisioterapeuta do HU, Andrea Akemi Morita. Ela acrescenta que as atividades físicas podem ser as mais variadas, como caminhada, corrida, ciclismo e natação. ''Tudo realizado após uma avaliação médica completa e um bom acompanhamento de um profissional na área'', alerta.
A fisioterapeuta Gianna Bisca complementa que a intensidade das atividades físicas para os fumantes deve começar de forma moderada e ser aumentada gradativamente, assim como é recomendando para os não fumantes. ''Além disso, a pessoa deve estar alerta sobre a importância de se alimentar cerca de uma hora antes da prática, colocar uma roupa confortável e leve, além de ingerir muita água antes, durante e depois da atividade física'', orienta.
Combate
São essas e outras orientações que o grupo de fisioterapeutas do projeto ''Estudo sobre Promoção de Atividade Física em Tabagistas' (EPAFT) repassaram à comunidade, durante o fim de semana, no Calçadão da Avenida Paraná (Área Central). O projeto conta com a orientação e supervisão do professor doutor em Fisioterapia, Fábio de Oliveira Pitta.
A campanha é realizada anualmente e antecede o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo, comemorado no dia 29 de agosto. Os fisioterapeutas residentes e mestrandos realizaram avaliações da função pulmonar de quem passava pelo local, deram orientações para a prática de atividade física e entregaram panfletos sobre os benefícios da prática de atividade física para quem é tabagista.
O aposentado Homero Bovolin, 40 anos e fumante há 15, decidiu parar para checar a função respiratória e aprovou a iniciativa. ''Já tentei parar de fumar umas cinco vezes, mas não consegui. É difícil conseguir parar sozinho e ações como essa incentivam a gente'', diz.
Bovolin detalha que já caminha, mas que a partir das orientações que recebeu e após saber que a atividade física tem uma grande influência para o abandono do vício, quer intensificar a atividade. ''Com certeza, vou procurar andar com mais frequência e aumentar o trecho a partir de agora'', destaca.
Ex-fumante desde há 27 anos e acima do peso ideal, o advogado Roberto Morita revela que foi somente após ver o sofrimento do pai em decorrência da embolia pulmonar que conseguiu largar o cigarro. Hoje, o advogado luta contra o aumento do peso e enfatiza que se tivesse iniciado atividade física assim que abandonou o cigaro, não teria descontado a ansiedade na comida. ''Depois que você deixa de fumar, começa a comer mais e acaba engordando. Acho que é meio que uma forma de compensar. Assim, eu engordei e agora estou com diabetes'', conta.
''Mas quero mudar esse quadro, depois da conversa que tive com eles, quero entrar no grupo de caminhada dos meus colegas'', menciona o advogado. ''Gostei muito da iniciativa. Já que o governo não investe em prevenção, pelo menos esses pesquisadores estão fazendo algo por nós.''
Serviço - Mais informações sobre o projeto e como se inscrever no Laboratório de Pesquisa em Fisioterapia Pulmonar do HU pelo fone (43) 3371-2477.

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