Atividade física ajuda a combater o câncer
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sábado, 27 de setembro de 2003
Fabiane Leite<br> Agência Folha 
São Paulo Dado estimulante para quem pretendia passar o domingo no sofá: acumulam-se os estudos que mostram ''poderes'' pouco conhecidos da atividade física, como o de prevenir alguns tipos de câncer. ''Já existem evidências principalmente para os casos de câncer de cólon (intestino grosso) e de mama'', afirma Ryad Younes, chefe do setor de Cirurgia Torácica do Hospital do Câncer de SP.
O câncer colo-retal é a terceira causa mais comum de morte por câncer no País, segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer). O de mama é o que mais causa mortes em mulheres (mais de 8.000 casos em 2000) e é o segundo mais incidente na população feminina (são previstos 41.610 novos casos neste ano). A maioria dos casos de câncer está relacionada ao ambiente em que vive o paciente, contabilizados aí hábitos de alimentação e o padrão de atividade física. ''Alguns estudos falam do benefício da atividade leve, outros da alta atividade. No mínimo, é melhor do que o sedentarismo'', diz Younes.
Em 1995, estudos comprovaram que 30 minutos diários de atividade física moderada, na maior parte da semana, trazem benefícios ao organismo. Os 30 minutos podem ser contínuos ou repartidos em diferentes atividades leves a moderadas, como andar até o trabalho, passear com o cachorro, cuidar do jardim.
A mensagem foi encampada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) no seu programa de combate ao sedentarismo. Estudos divulgados em 2000 recomendavam de 30 a 45 minutos na maioria dos dias principalmente para a prevenção do câncer de cólon.
Até dez anos atrás, nem os médicos davam muita atenção ao sedentarismo como fator de risco para o câncer, centrando o foco sobre o cigarro, a alimentação.
Ainda é uma incógnita o mecanismo fisiológico que faz com que a atividade física combata os cânceres de mama e de cólon. ''Há sugestões de que a atividade física reduza o tempo de exposição ao estrogênio (hormônio feminino que estimula células cancerígenas)'', diz Tânia Cavalcante, chefe da Divisão do Programa de Controle do Tabagismo e outros Fatores de Risco do Inca. No caso do câncer de cólon, uma das hipóteses é o fato de o exercício acelerar o trânsito intestinal, diminuindo a permanência de substâncias cancerígenas.


