A Secretaria Estadual de Educação desenvolve vários programas extra-curriculares, entre eles dois que estão tendo grande sucesso: o do Celem-Centro de Estudos de Línguas Estrangeiras Modernas do Paraná, que tem dez anos mas de um ano para cá praticamente dobrou de tamanho, e o de Turismo Educativo, que leva alunos carentes, de preferência, em viagens a cidades históricas do Paraná, com transporte, alimentação e estadia em hotéis totalmente grátis, utilizando para isso recursos de patrocinadores privados. Também o Celem utiliza recursos de embaixadas e consulados de países interessados em ter seus idiomas conhecidos e falados no Paraná.
Mais de 30 mil alunos de 130 escolas públicas paranaenses estão matriculados no Celem, o único no Brasil que oferece o ensino de sete idiomas: espanhol, alemão, francês, italiano, japonês, polonês e ucraniano. A história desse programa começa por um problema e termina com uma solução simples, barata e acessível a qualquer pessoa interessada em aprender uma língua estrangeira.
Em 1971, com a reforma do Ensino e a obrigatoriedade da inclusão de apenas uma língua moderna nos currículos escolares, predominantemente o inglês, os alunos ficaram sem muitas opções. Para avaliar o interesse dos estudantes por outros idiomas, as Associações de Professores de Espanhol e Francês - os mais prejudicados com a opção dos colégios pelo inglês - fizeram uma pesquisa com três mil alunos de Curitiba. O resultado foi surpreendente: 31,57% gostariam de aprender francês, 25,20% espanhol, 17,96% inglês, 16,51% italiano e 8,5% alemão.
Com os números nas mãos, as associações reivindicaram junto à Secretaria de Educação uma alternativa para o ensino de outras línguas estrangeiras na rede pública. Depois de muita luta nasceu em 1986 o Celem. No primeiro ano 400 alunos se matricularam nos diversos cursos. Dez anos depois, em 1996, já eram 20 mil estudantes e este ano são 30 mil, em 61 municípios de todas as regiões do Estado.
Cada aluno deve cumprir a carga de quatro horas de aulas por semana, num total de 290 horas, distribuídas em quatro semestres. No final, o aluno recebe um certificado reconhecido pela Secretaria Estadual de Educação.
Mas o Celem não é um serviço exclusivo para os alunos da rede pública estadual; pais de alunos, professores ou qualquer pessoa interessada pode fazer os cursos, pois 30% das vagas são reservadas à comunidade. Basta que a pessoa procure o Núcleo Regional de sua cidade e se informe sobre os detalhes. A garantia do ensino de idiomas estrangeiros gratuitamente à comunidade ‘‘resulta na democratização do ensino, já que garante o acesso a cursos de idiomas que, de outra maneira, não teriam’’, analisa a professora Sandra Poli Gonçalves de Almeida, coordenadora do Celem.
Se na época de seu nascimento o Celem tinha maior número de alunos procurando pelo curso de francês, hoje, com o Mercosul, o espanhol é a língua mais procurada no Celem. Das 738 turmas em todo o Estado, 377 são de espanhol e as 361 restantes estão divididas pelos outros seis idiomas. De todas as cidades, Maringá é a que tem maior número de estudantes de espanhol: 1.820 distribuídos em 52 turmas.
Para atender de forma adequada essa demanda, o Celem vem procurando agilizar o acordo de intercâmbio assinado entre o Brasil e a Argentina. O passo mais importante foi a formação do Conselho de Ministros e Secretários de educação, dia 21 de agosto passado, presidido pela professora Calatina Mendez de Medina Lareu, ministra da Educação da província argentina de Corrientes.
O acordo de intercâmbio faz parte da Declaração de Puerto Iguazu, firmado em maio pela Crecenea (Argentina) e pelo Codesul (Brasil), a fim de incrementar o processo de integração entre os dois países em diversas áreas, entre elas a educação. Para Sandra de Almeida, ‘‘a língua é o principal elo para a viabilização do Mercosul’’, junto ao conhecimento de outros pontos em comum entre as duas culturas. ‘‘Estamos levantando firmas para patrocinar esse intercâmbio, a ida de professores brasileiros para lá e dos argentinos para cá, para que possa acontecer o verdadeiro intercâmbio cultural e a cooperação entre as escolas’’, ressalta Sandra.
O acordo de Puerto Iguazu é um compromisso entre as províncias argentinas de Corrientes, Misiones, Santa Fé, Entre Rios, Formosa e Chaco e os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. A título de pecularidade, é bom saber que na Argentina os secretários de Educação são chamados de ministros e os estados de províncias.

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