Quanto mais atividade melhor. Esta é a proposta da maioria dos colégios hoje em dia. As atividades extra-curriculares preenchem todo o tempo dos alunos, solucionando a vida dos pais que trabalham fora o dia todo. Se por um lado isso prepara a criança para a competitividade da vida profissional, também pode provocar um stress prematuro. Alguns colégios, por causa disso, vão na direção contrária, buscando espaço para brincadeiras, contato com a natureza e até espiritualidade.
O diretor do Colégio Positivo, Agostinho Capeletti Busato, diz que manter a criança em plena atividade é uma tendência mundial. ‘‘Queremos dar às crianças condições para enfrentar o mundo moderno’’, explica. A informática começa a ser ensinada no pré-escolar e a escola tem um Centro de Línguas para as que querem fazer inglês, além das atividades esportivas e artísticas.
Kraw PenasLuiz Miguel, 8 anos: além da escola, seis outras atividades
Luiz Miguel Wadzik é um exemplo de responsabilidade aos 8 anos de idade. Ele consegue conciliar a escola, as aulas de judô, que faz desde os 4 anos, com outras cinco atividades extra-curriculares: futsal, tênis, flauta, inglês e natação. Os pais de Luiz Miguel trabalham o dia todo e ele diz que prefere ter muitas atividades e até sente falta nas férias. A professora Sueli Takemori diz que o judô ajuda as crianças a desenvolverem auto-confiança, disciplina e coordenação motora além de dar vazão a agressividade comum nas crianças.
As atividades extra-curriculares podem ser estressantes, mas algumas vezes revelam talentos e campeões. É o caso de Maria Augusta Cabral, 16 anos, que atualmente é campeã brasileira e sulamericana de cadetes. Ela começou o treinamento há cinco anos no colégio e diz que não se arrepende de ter se dedicado três horas por dia à esgrima. Guga, como é conhecida, conta que tentou fazer outras atividades, mas só se identificou com a esgrima. Cursando o ‘terceirão’, a atleta diz que pretende fazer Administração de Empresas.
O técnico Giocondo Cabral acredita que Guga será uma executiva diferenciada porque teve a competitividade estimulada. ‘‘Não importa quem esteja na pista. Na competição, a pessoa se torna um inimigo’’, diz. Força, auto-controle e poder de decisão são as características reforçadas pelo esporte, segundo ele. ‘‘Acho que toda criança deveria ser obrigada a experimentar todas as atividades para se identificar com alguma delas numa segunda fase. Só então pode-se cobrar resultados’’, conclui.
Marcelo AlmeidaJoana, 9 anos: agenda cheia de compromissos rouba o tempo para brincar
Melanie Rossoni, 13, também é campeã de hipismo e, além da escola, faz Inglês, sapateado e curso de manequim. Ela admite que fica estressada com tantas atividades e isso faz com que o rendimento na escola caia. Como todas as amigas têm o mesmo ritmo, Melanie acha normal e diz que chegou a conversar com a mãe sobre o excesso de atividades, mas as duas resolveram que ela iria continuar.
Joana Oliveira Veronese, de 9 anos, reclama que tem pouco tempo para brincar, por causa das aulas de ginástica, natação, piano, informática e inglês. Ela conta com orgulho que consegue fazer tudo com bons resultados, sem contar que no ano passado ficou para as aulas de reforço. Como o domingo Joana faz catequese, tem hora e dia certo para brincar: final da tarde de sexta-feira e aos sábados. A lição de casa ela faz à noite, depois de uma agenda lotada. E a mãe, Joana vê no caminho das aulas porque é ela quem a leva para os compromissos.

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