Atitude revela extremo pedido de ajuda, diz CVV
Osmani Costa
De Londrina
O Centro de Valorização da Vida (CVV) de Londrina realiza mensalmente cerca de 550 atendimentos, a maioria pelo telefone (43) 330-411, onde cerca de 40 voluntários se revezam para manter o serviço gratuito 24 horas por dia em funcionamento. Mesmo sem precisar os números, a vice-coordenadora do CVV, Vera Lúcia Maria Carlos, diz ser muito preocupante o aumento das pessoas que tentam o suicídio na cidade nos últimos tempos.
Estas pessoas estão, na verdade, tentando um último e desesperado pedido de socorro para suas famílias, seus amigos e toda a sociedade, avalia a voluntária do CVV, que é formada em administração de empresas. Alguns dizem com desdém que os que tentam o suicídio estão querendo aparecer, chamar a atenção. Realmente, é uma maneira extremada de chamar atenção para si, para o seu problema, e de pedir ajuda na busca de soluções.
Na opinião de Vera Lúcia, os que tentam suicídio atravessam uma fase de grande sofrimento e profundo desespero. Por isto, não podemos nos manter insensíveis a este pedido de socorro. Estas pessoas que estão com a auto-estima baixa necessitam imediatamente de ajuda, carinho e compreensão. Quando isto não ocorre, elas podem vir a consumar o suicídio, comenta ela.
A voluntária do CVV que não tem ligações religiosas e nem fins lucrativos conta que já atendeu a muitos telefonemas de pessoas nesta situação. Elas não vêem mais a luz no fim do túnel. Para elas, a vida perdeu o sentido. Não é só pela perda do namorado, da esposa ou do emprego. São muitos motivos que vêm se acumulando há anos. Este último, o divulgado, foi apenas a gota dágua que faltava. Elas se sentem cansadas e maltratadas pela vida.
Vera Lúcia explica que, no momento da tentativa do suicídio, a pessoa sofre com um dos maiores conflitos que se pode passar. Ela tem a vontade de autodestruição; mas no íntimo ainda conta com o sentimento inato de preservação da vida. Este conflito causa muita dor; é um momento difícil e extremamente delicado para aquela pessoa, que está fragilizada, ressalta a vice-coordenadora do CVV.





