Atitude que coloca a saúde em risco
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sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem local 
Levar um lanche, uma bolacha ou outro tipo de alimento para uma pessoa que está hospitalizada pode ser considerado um gesto de carinho, mas esconde um potencial risco à saúde. Dependendo da forma como foi manipulado e transportado, o alimento pode influenciar no tratamento e as migalhas deixadas nos quartos podem atrair insetos, vetores de infecções hospitalares.
Os hospitais determinam regras do que pode ou não entrar nas unidades, pois não existe uma norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o assunto. Em Londrina, o Hospital Universitário (HU) proíbe a entrada de qualquer tipo de alimento, enquanto no Hospital do Coração há restrição de alguns tipos de produtos.
As duas instituições fazem um trabalho de orientação com os pacientes, parentes e visitantes. O farmacêutico Diogo Carraro, membro da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital do Coração, afirma que qualquer produto que vem de fora é considerado uma fonte potencial de infecção. Quando os pacientes chegam ao hospital recebem um guia com orientações sobre as normas do hospital, como a proibição de entrada de alimentos sem autorização da nutricionista e de flores.
As precauções são para evitar os riscos de infecções hospitalares e de comprometer o tratamento do interno. De acordo com a nutricionista Kátia Favoreto, o hospital não proíbe a entrada, mas orienta os visitantes e pacientes sobre o que pode e o que não pode entrar na unidade. "Não pode trazer alimentos feitos na rua, como lanches, e embutidos. A comida preparada no hospital é sem fritura, hipossódica (baixa quantidade de sal) e hipolipídica (pouco calórica) e as pessoas sentem a diferença", explica a nutricionista. Fruta, iogurte e comida preparada em casa, no entanto, estão liberados, desde que com o aval das nutricionistas. É importante esta conversa com as nutricionistas, porque fugir da dieta pode influenciar no tratamento.
A CCIH orienta também que a quantidade de alimento seja para o consumo de um dia ou dois, no máximo. Também pede que se tenha cuidado com as migalhas deixadas nos quartos. "Pedimos que eles cuidem com os alimentos que fazem migalhas para evitar a proliferação de insetos. E que guardem os alimentos no frigobar, para evitar contato com os medicamentos ou outros produtos que possam ser contaminados", diz Kátia.
No hospital, a maioria dos pacientes recebe apenas alimento preparado na unidade. "Temos muitos pacientes de reinternação, que já sabem das restrições, então nem pedem para os parentes trazerem comida", explica a assistente social Julia Pupin Campos.
HIGIENE
Para manter baixos os índices de infecção hospitalar (o Hospital do Coração não revela seus índices), o membro da CCIH, Diogo Carraro, explica que é feita orientação aos visitantes para que lavem as mãos sempre que entrarem na unidade. Foram instalados recipientes com álcool em gel em todos setores, há um controle rigoroso nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e um limite de visitas por turno. As medidas foram intensificadas em 2009, quando houve uma epidemia de Gripe A no País.
Mesmo com o marido reclamando da comida, a cabeleireira Judite Ribeiro da Silva, de 55 anos, não leva nenhum tipo de comida para ele, que está internado na UTI. "Eles não deixam trazer comida, pois pode contaminar ele, que já está com a imunidade baixa." Ela considera importante a restrição, mas sugere que as refeições poderiam levar um "temperinho a mais". "Podiam colocar um alho, uma salsinha ou cebolinha. A comida não tem gosto de nada."


