Ontem o domingo foi diferente para os atiradores do Tiro de Guerra de Londrina. Graças à atenção e ao carinho da vovó Gracilene Raimundo, eles ganharam um café da manhã especial, com frutas, sucos, lanches, bolos e capucinos.
Com a ajuda de amigos próximos e a parceria de padarias e empresas da cidade, dona Gracilene conseguiu viabilizar a refeição, que não é disponibilizada aos garotos nos treinamentos diários. ''Fui mãe de atirador há 18 anos e hoje sou avó. Na época era modelo para outras mães porque sempre fui muito participativa e hoje quero repetir com o meu neto o que fiz para meu filho'', justificou.
Dona Gracilene teve a idéia de preparar o café da manhã depois de ser convidada a participar de um cerimonial do Tiro de Guerra no último dia 21 de abril. ''Pude conversar com os meninos e descobri que eles não têm café da manhã. Muitos deles saem direto da instrução para escola ou para o trabalho e não têm tempo de se alimentar direito'', informou.
''Minha intenção é reivindicar que eles tenham pelo menos o básico que é leite, pão, café e uma fruta todos os dias'', completou dona Gracilene, convocando os produtores rurais da região a participar da iniciativa. ''Sitiantes passam toda hora aqui em frente. Se cada um deixar uma caixa de banana, uma caixa de laranja, já faz uma diferença enorme.''
Mais que alimentar a tropa, a vovó quer aproximar os atiradores da família e da sociedade. ''Sou uma mãe, uma avó orgulhosa e quero dividir esse sentimento para que os filhos tenham cada vez mais contato com seus pais.''
Aos 19 anos, o neto de dona Gracilene, Matheus Raimundo de Carvalho, participa do Tiro de Guerra todas as manhãs. Durante o dia ele faz estágio e à noite cursa o segundo ano de direito. Nem a rotina estafante de acordar às 4h10 todos os dias o impede de apreciar a experiência de fazer parte do Exército brasileiro.
''No começo a gente acha que não vai dar conta porque trabalha e estuda, mas quando entra vê que é diferente. As amizades são bem legais, não só com a turma, mas com o sargento também. A gente aprende a respeitar, a ter responsabilidade. Acaba gostando porque é uma ótima experiência que se leva para o resto da vida'', declarou Matheus.
O sargento Fabiano Francisco de Oliveira explicou que o café da manhã não é servido aos mais de 200 garotos, com idade entre 18 e 19 anos, porque não há tempo hábil para eles se alimentarem, já que o treinamento diário dura apenas duas horas, das 5h às 7h. ''Quando eles têm atividades fora do Tiro ou que duram o dia inteiro, como acampamentos, por exemplo, todos recebem café e almoço.''
Ainda segundo Oliveira, apesar do pouco tempo de preparação, as noções de hierarquia e disciplina aprendidas durante o Tiro de Guerra acompanham os meninos para sempre. ''Eles saem daqui completamente diferentes de como entraram, mas continuam soldados mesmo sem a farda'', garantiu.

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