Atirador causa pânico em tribunal
Um homem feriu quatro pessoas e fez três reféns no prédio dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, ontem à tarde, no bairro Alto da XV, em Curitiba. O vigilante desempregado Pedro Graciano da Silva, 30 anos, tinha uma audiência marcada com a ex-mulher, Letícia Cristina Cunha, 23, no Juizado Criminal. Ao chegar na recepção, às 13h25, Graciano começou a atirar com um revólver calibre 38 e atingiu Letícia, os sogros Creuza Bessani Cunha, 54, e Benedito de Souza Cunha, 53, e o sargento do Exército Antônio José de Oliveira Coelho, 33 (leia matéria abaixo).
Três pessoas, entre funcionários e estagiários do Juizado, ficaram presas em uma salacom o atirador. Outras cinco pessoas foram mantidas trancadas em uma sala anexa, sem contato direto com Graciano. Essas foram libertadas mais cedo. Às 17 horas, a polícia fez um buraco na parede divisória, sem que o sequestrador ouvisse, e aí conseguimos sair, conta a estagiária Bruna Galves Peruzzo, 18. Os cinco foram levados até a sede do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), onde foram interrogados. Outros três reféns ficaram em poder do atirador, enquanto a polícia, a mãe, a irmã e a psicóloga de Graciano tentavam uma negociação, de uma outra sala do prédio através de telefone viva-voz. Às 19 horas, a estagiária Letícia Lílian foi liberada. Ela estava muito nervosa e foi levada para casa.
Graciano já foi indiciado por tentativa de homicídio, cárcere privado, lesão corporal e porte de arma e estava em liberdade condicional. O ex-vigilante tentou matar uma outra ex-mulher em São João do Ivaí, (75 km ao Sul de Apucarana). De acordo com o chefe da Comunicação Social da Polícia Militar, major José Paulo Betes, o atirador tem problemas psiquiátricos, toma antidepressivos e já teria tentado o suicídio uma vez. As cinco pessoas que foram libertadas no meio da tarde contam que Graciano parecia estar calmo e dizia que não queria ferir nenhum refém. Ele disse que queria matar a ex-mulher e depois se suicidar, diz Bruna Peruzzo.
No início da noite, o atirador fez as primeiras exigências. Primeiro pediu a presença de dois jornalistas para acompanhar as negociações com a polícia. Depois, chegou a pedir um carro para sair do prédio com os dois reféns restantes, mas desistiu. Graciano afirmou também que poderia se entregar, desde que não fosse levado a uma delegacia e sim a uma clínica psiquiátrica.
O episódio foi acompanhado durante toda a tarde e noite por um grande esquema armado pelas polícias Civil e Militar. Policiais de grupos anti-sequestro isolaram a área de um quarteirão.
Familiares dos reféns reclamavam da falta de informações. O filho da assessora Yone Oliveira Campos, 42, José Guilherme Mendina, afirmou que a polícia estava mais preocupada em aparecer e agradar a imprensa do que prestar auxílio às famílias. O psicólogo Antônio Marcelo Andrade, 34, também estava sendo mantido como refém.
Até o encerramento deste caderno, a polícia ainda não havia conseguido prender o atirador e liberar os outros dois reféns. A polícia não pretendia invadir o local.





