Atestados de óbito complicam situação de falsa médica
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segunda-feira, 16 de outubro de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Atestados de óbito de ex-pacientes da falsa médica Karen Rogoni Marquesi foram entregues, ontem, à Polícia Civil de Ponta Grossa. O fato, segundo o delegado Homero Vieira Neto, torna as acusações contra ela mais graves e pode levar a indiciamento por homicídio. Em princípio, Karen foi indiciada por exercício ilegal da profissão e falsidade ideológica.
Também ontem, testemunhas prestaram depoimento e alegaram que os diagnósticos e prescrições de remédios foram contestados por outros médicos. Karen Marquesi foi presa em flagrante na noite da última quinta-feira, durante seu ''plantão'' no Pronto Socorro Cidade, em Ponta Grossa. Ela usava o nome e o registro de uma dermatologista de Curitiba, mas atuava como plantonista em clínica geral. Karen está detida na carceragem da 13Subdivisão Policial de Ponta Grossa.
Vieira Neto disse que há fortes indícios de que os pacientes que morreram receberam doses erradas de medicamentos. ''Pelo relato das vítimas, elas só não morreram por sorte'', afirmou o delegado. Alguns pacientes, ao terem o quadro de saúde piorado depois de serem atendidos por Karen, procuraram outros médicos, que recomendaram a suspensão imediata dos medicamentos prescritos pela falsa médica.
O delegado ouvirá, também, a direção do hospital onde a falsa médica trabalhava há cerca de cinco meses. A Folha procurou, novamente, o diretor-clínico do Pronto Socorro Cidade, na tarde de ontem, mas foi informada por uma funcionária que ele não se encontrava no hospital e que seria a única pessoa autorizada a comentar o caso.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) havia informado na semana passada que recebeu a denúncia da médica que teve o nome usado indevidamente e iria instaurar sindicância para apurar os fatos. Não cabe ao CRM-PR, no entanto, punir Karen Marquesi, pois ela não tem registro profissional.
Segundo a assessoria de imprensa do CRM-PR, em 2005, a instituição recebeu 490 denúncias e instaurou 500 sindicâncias, que resultaram em 159 processos ético-profissionais.


