Aterros se espalham por toda a cidade e causam prejuízos
Aterros se espalham por toda
a cidade e causam prejuízos
Fotos Dorico da SilvaNascente do Córrego Saltinho (ao lado) e abaixo, à direita, área do Saltinho aterradaAlém da poluição industrial e da causada por esgoto sanitário doméstico clandestino, um novo problema que afeta os fundos de vale surgiu nos últimos anos em consequência do crescimento da cidade e do aumento da população. É o da ocupação do espaço da faixa de preservação permanente no mínimo 30 metros em cada uma das margens dos ribeirões e córregos por aterros construídos através do acúmulo clandestino de restos de construção civil, móveis e pneus velhos, galhos de árvores, lixo doméstico e entulhos em geral.
Espalhados por todas as regiões da cidade e atingindo quase todos os principais ribeirões e córregos, só os aterros surgidos nesta década já são cerca de 30, de acordo com o levantamento da geógrafa da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Marcia Regina Arantes. As principais causas são: ausência de um plano de gerenciamento de resíduos sólidos urbanos; a necessidade de aprimoramento na conscientização ambiental através das escolas; a busca de novas áreas úteis para indústrias e empresas prestadoras de serviços; e o aumento de espaços públicos para o lazer, principalmente com a construção de campos de futebol, comenta ela.
De acordo com Marcia Arantes, os principais responsáveis pela montagem destas dezenas de aterros nos fundos de vale londrinenses são algumas das cerca de 15 empresas que trabalham com caçambas no transporte de entulhos de construção civil , pequenas indústrias e empresas prestadoras de serviços instaladas nas proximidades, e particulares que não dão destinação correta a seus mais variados tipos de lixo.
Às vezes, são os próprios órgãos públicos que contribuem para a formação dos aterros. Isto ocorre, por exemplo, quando se permite o aterramento de áreas para a construção de campos de futebol e outros espaços de lazer, ainda que a pedido da comunidade. O aterro mais conhecido e polêmico da cidade é, sem dúvida o do Lago Igapó 2, na área central.
Segundo a geógrafa da AMA, além de ocupar o espaço antes reservado para a mata ciliar, os aterros provocam o assoreamento das nascentes e leitos dos córregos e ribeirões e causam outros prejuízos ambientais. Os aterros são responsáveis por significativas alterações no relevo e agressão à paisagem. O material que escorre deles através da erosão contamina os cursos de água e provocam a sedimentação nos leitos, afirma Marcia Arantes, ressaltando que as árvores nativas e exóticas têm dificuldades de se desenvolverem nos aterros extremamente compactados quando há a tentativa de recuperação da mata ciliar. (O.C.)





