Rolândia Nem a forte chuva que caiu na manhã de ontem atrapalhou o protesto dos moradores que residem próximo ao aterro sanitário de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). Cerca de 80 pessoas, a maioria donas-de-casa e crianças, percorreram a pé cerca de 500 metros, protestando contra os problemas existentes no depósito sanitário, localizado no quilômetro 7 da PR-170 (sentido Rolândia-São Martinho).
Inaugurado há 9 meses, o aterro está sem monitoramento das águas subterrâneas e a lona de impermeabilização incompleta. ''Como o poço de monitoramento não está funcionando, é impossível saber se o lençol freático está contaminado'', alertou o ambientalista Daniel Steidle, presidente da Ong ''Movimento Nossa Terra''. Os moradores também reclamam do mau-cheiro e da grande quantidade de moscas que começaram a aparecer em suas casas após a instalação do aterro. ''A situação está quase insuportável. As moscas são atraídas pelo lixo que cai dos caminhões e invadem nossas casas'', apontou a dona-de-casa Fabiane Knoor, 23 anos.
Construído para ser uma aterro sanitário com tecnologia de primeiro mundo, o local se transformou praticamente num lixão a céu aberto. Durante o protesto, os moradores encontraram material orgânico, reciclável e até lixo hospitalar (seringas e luvas), depositados no local. Segundo Steidle, a empresa que implantou o aterro prometeu uma vida útil de 23 anos ao depósito mas, com menos de um ano de funcionamento, a trincheira de recebimento de resíduos já está com o espaço físico esgotado. ''Isso mostra a ineficiência da coleta seletiva do lixo'', apontou o ambientalista. ''Os caminhões despejam diariamente materiais que não deveriam estar aqui, mas no barracão de reciclagem'', disse.
O engenheiro agrônomo da Secretaria de Meio Ambiente e Turismo de Rolândia, Paulo Lovato, contestou as reclamações dos moradores. ''O que eles dizem são inverdades'', disparou. Para ele, não há irregularidades no aterro. Lovato informou que uma nova trincheira para a deposição dos resíduos será aberta. ''A licitação já foi aberta; em poucos dias as obras começam'', completou.
O técnico de fiscalização e licenciamento ambiental do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Eliton Bembem, afirmou que, em todo o lugar em que se instala um aterro, a população local sente-se incomodada. ''Ninguém gosta de morar perto de aterro, cemitério, delegacia'', exemplificou. O técnico justificou que mais de 20 áreas foram analisadas na cidade e o Km 7 foi o que apresentou as melhores condições para instalação. Bembem disse ainda que visitou o aterro, na tarde de ontem, e que todas as deficiências constatadas há 20 dias numa vistoria feita pelo IAP foram solucionadas. Ele apontou que o trator de esteira foi consertado, o lixo está compactado e o capim alto que havia próximo às lagoas de tratamento também foi cortado. ''Além disso, o índice de moscas no aterro é praticamente nulo, o que indica que o depósito está sendo operado adequadamente'', completou.

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