Aterro vale R$ 3 mi, dizem corretores
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quinta-feira, 24 de setembro de 1998
Lúcio Horta 
O valor apresentado pela Comissão de Avaliação da Prefeitura para a área do aterro do Igapó, localizada na região central de Londrina, é pelo menos três vezes menor do que o estimado por imobiliaristas da cidade. Segundo a prefeitura, o terreno vale R$ 981.923,00 - ou R$ 16,00 o metro quadrado, considerando área líquida. Corretores garantem que, pelo preço de mercado, o valor seria de no mínimo R$ 3 milhões. A área total do aterro do Igapó, segundo memorial descritivo preparado pela secretaria de Obras, é de 80.859,50 metros quadrados; e a área líquida, descontando obras de duplicação de rodovia e rotatória, entre outras, de 61.989,89 metros quadrados.
Os corretores procurados pela reportagem da Folha (pelo menos um não quis se identificar) foram unânimes em afirmar que o valor de R$ 1 milhão para aquela área está fora da realidade. Vale muito mais do que isso, sem sombra de dúvidas, garantiu Raul Fulgêncio, há 26 anos trabalhando no mercado imobiliário de Londrina. Ali, o valor por metro quadrado é de pelo menos R$ 60,00 ou R$ 70,00, o que ainda é barato, e não esse valor que foi apresentado, completa. Ele destaca que a sua avaliação considera a possibilidade de construir na área, como prevê o próprio projeto aprovado na Câmara.
O imobiliarista dá um exemplo: se multiplicar R$ 16,00 o metro quadrado por 400, o tamanho médio de um terreno na Cidade, o resultado seria R$ 6,4 mil. No Quebec, por exemplo, não se compra terreno por esse valor de jeito nenhum. E qualquer lote em frente ao lago custaria pelo menos R$ 150,00 o metro quadrado, aponta. Ele destaca que a área compreendida no entroncamento do Igapó com a Avenida Higienópolis - onde se encontra o aterro - é a que mais cresce e a que mais se valoriza hoje na cidade. O valor potencial daquela área é muito grande, estima. Na opinião de Raul Fulgêncio, no entanto, o melhor para o aterro do Igapó seria a recuperação e manutenção como área de preservação ambiental.
Alfredo Canezin, imobiliarista e delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) em Londrina, também concorda que o valor apontado pela avaliação da prefeitura está abaixo do mercado - embora considere que a utilização racional da área do aterro valorizaria toda a região, que, segundo ele, está estagnada. O preço pelo metro quadrado deveria ser de no mínimo R$ 50,00 reais, o que daria aproximadamente R$ 3 milhões, e não R$ 1 milhão, garantiu Canezin.
Outro que discorda do valor apresentado pela prefeitura é Nestor Correa, também imobiliarista e que atua há vários anos no mercado. Para ele, no entanto, a discussão de valor monetário para a área nem deveria ser levantada. O meu ponto de vista é que é difícil quantificar valor nesta área pelos benefícios que ela pode trazer. Acho que ali é uma área verde, de preservação, e não deve ser vendida ou doada em hipótese alguma. Deve, ao contrário, ser revertida em benefício da população. O valor da área é inestimável, declarou. E observa: Se isso acontecer (a venda ou doação da área), acho que em cinco ou dez anos, depois que a população da cidade crescer, seguramente vamos olhar para trás e verificar que foi cometido um grande erro.


