Nos próximos vinte anos, mais um morro vai fazer parte do cenário do Litoral do Paraná. Serão 300 mil toneladas de lixo compactadas em uma montanha de 20 metros de altura, coberta de argila e vegetação local. É este o futuro do aterro sanitário que recebe toda a produção de lixo das praias que seguem desde Matinhos até Pontal do Sul, no Litoral do Paraná.
O número não é exagero e está confirmado pelo secretário de Estado do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, que esteve ontem visitando o aterro. ‘‘O problema do lixo é eterno e vai diminuir principalmente quando as pessoas tiverem consciência do tamanho do problema’’, disse. De acordo com o secretário, a produção de lixo que chega no aterro todos os dias é quase 130 toneladas, durante a temporada de verão. Fora desses meses, a média de produção é de 33 toneladas diárias. ‘‘Este é um aterro modelo mas deveríamos fazer ele durar mais trinta anos e não vinte’’.
O aterro foi construído em fevereiro do ano passado e custou cerca de R$ 1 milhão. O terreno de dez mil metros quadrados é forrado com uma lona especial que evita o contato do lixo com o solo e a consequente contaminação do lençol freático. Drenos levam todo o líquido produzido pela montanha de lixo para um lago onde micro-organismos digerem todas as impurezas.
Depois de um ano de funcionamento, dos dez mil metros quadrados, quarenta já está ocupado pelo lixo. A construção do aterro acabou com parte do problema dos lixões irregulares que existiam no balenário de Shangri-lá, em Pontal do Paraná, e em Cambará, um bairro de Matinhos. Apesar de estarem desativados, os terrenos continuam sem tratamento. O projeto de recuperação ambiental está no Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e ainda não saiu do papel.

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