Edson MazzettoAterro controlado de Cascavel: sem reciclagem, vida útil é menor

A reciclagem do lixo urbano torna-se cada vez mais ‘‘obrigatória’’ para que seja garantido o prolongamento da vida útil dos aterros controlados. Em Cascavel, onde o aterro controlado foi implantado há um ano e meio, a primeira ‘‘trincheira’’ já está totalmente cheia, o que obriga à construção emergencial de outra.
O secretário de Meio Ambiente, Paulo Valini, explica que a reciclagem, que pode reduzir o volume final a menos de 40% do lixo, no mínimo duplica a vida útil dos aterros. No caso de Cascavel, o aterro foi projetado para vida útil máxima de 10 anos, mas ela será ainda inferior se não houver o aproveitamento do material. O custo de um aterro - com projeto que contemple todas as exigências da legislação ambiental - é elevado, começando pelo espaço necessário e localização. O de Cascavel tem quase 140 mil metros quadrados.
Localizado a 15 quilômetros da cidade, o aterro de Cascavel foi reconhecido como ‘‘modelo’’ pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), cujos técnicos têm manifestado permanente preocupação com ‘‘lixões’’ a céu aberto. O projeto compreende drenagem de líquidos e gases, separação e disposição apropriada para o lixo hospitalar, compactação e monitoramento permanentes e até mesmo uma ‘‘cortina verde’’ de árvores para conter ventos que pudessem levar mau cheiro em direção à cidade.
Apesar de todos estes cuidados, a questão da vida útil permanece como ‘‘central’’. Por isso, ainda durante o ano deverá ser implantada em Cascavel a coleta seletiva de lixo para reciclagem. Ambientalistas e técnicos ressaltam que a reciclagem, além de prolongar o uso de aterros, diminui os impactos ambientais, economiza de matéria-prima e energia para produção de novos materiais, e até mesmo gera renda e empregos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que na América do Sul apenas a separação de lixo garanta a sobrevivência de mais de 100 mil pessoas.
Nos últimos anos, entidades como a OMS e a Organização Panamericana de Saúde (OPS), no Brasil a Secretaria de Política Urbana, e no Paraná o IAP, têm ressaltado a preocupação com o lixo urbano por envolver diretamente a saúde pública. Por isso, são estimulados projetos de aproveitamento de recicláveis. Na maioria das cidades, eles não são aproveitados. Em todo o País, apenas 25% do lixo recebe algum tratamento em aterros.

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