Aterro não afetaria saúde da população
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terça-feira, 03 de fevereiro de 2009
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A convivência, durante 20 anos, com o aterro sanitário da Caximba, na Região Metropolitana de Curitiba, não alterou a incidência de doenças entre a população do entorno, segundo a Prefeitura de Curitiba. Para a Secretaria Municipal de Saúde, o acompanhamento de dados sobre a saúde da população não apresenta discrepâncias significativas na região.
Segundo o médico Moacir Gerolomo, do Centro de Epidemiologia da SMS, a prefeitura acompanha os dados de incidência de doenças e de causas de morte de toda a cidade. "Fazemos o acompanhamento das informações através do prontuário eletrônico e dos registros de óbito da cidade", explica. Os dados da prefeitura, diz Gerolomo, apontam que "as doenças que acometem os moradores da Caximba são as mesmas do resto da cidade". "Temos uma série histórica de dados médicos desde 1979", informa.
No entanto, um levantamento realizado por moradores da região e divulgado ontem pela FOLHA mostra um alto índice de abortos, problemas respiratórios e estomacais. "Essa pesquisa é uma forma de provocar o poder público a estudar de forma mais profunda a situação de quem mora aqui", explica Jadir Silva de Lima, um dos organizadores do estudo. Segundo Lima, os dados colhidos apontam que em 45% das residências visitadas até o momento há problemas estomacais, 60% com casos de aborto, 15% de hepatite e em 100% há problemas respiratórios. Segundo Gerolomo, as cinco principais causas de morte na Caximba são, em ordem de incidência, problemas no coração, violência, câncer, doenças respiratórias e problemas do sistema digestivo. O levantamento produzido pelos moradores deverá ser entregue ao Ministério Público tão logo seja concluído.


