Aterro interditado acumula lixo
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2003
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Os moradores do Jardim Leonor (zona oeste de Londrina) e bairros vizinhos a uma área pertencente à Prefeitura de Londrina, cujas obras de aterro estão embargadas por órgãos de fiscalização ambiental desde outubro do ano passado, querem uma definição urgente sobre o futuro do terreno.
A área, de 12,3 mil metros quadrados, havia sido repassada à Associação Unidos Venceremos Juntos aos Moradores e Amigos do Jardim Leonor, por meio de uma lei municipal (7.740, de 24.5.1999) e, segundo a presidente da entidade, Maria Inês Ribeiro, estava sendo aterrada para sediar uma área de lazer.
A confusão começou há três meses, quando os entulhos acumulados derrubaram o alambrado da Fiação Bratac, empresa instalada ao lado do terreno. Fiscais do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) foram até o local e verificaram que o aterro estava sendo feito sem qualquer projeto ambiental. ''O problema é que eles multaram a gente e não resolveram nada. Como não há definição sobre o caso, o terreno está acumulando sujeira porque não há limpeza'', criticou Maria Inês, destacando que o local era limpo duas vezes por semana, antes de ser interditado.
A empresa que levava o material até o aterro e cuidava do nivelamento do terreno foi autuada em R$ 12 mil pelo IAP. Sem a ajuda da empresa e a indefinição dos órgãos ambientais, a área permanece abandonada. ''Eles pedem um projeto ambiental, com engenheiros e arquitetos, mas não temos condições financeiras para fazer isso. O próprio promotor (Claudio Esteves) disse que definiria o caso assim que saísse o projeto'', comentou a presidente da associação.
O secretário Municipal do Ambiente, Padre Dirceu Fumagalli, confirmou que o futuro do aterro depende do projeto no papel e disse que tanto os técnicos da secretaria quanto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) estão cuidando de outras prioridades. ''Não queremos dizer que o caso é menos importante, mas temos que trabalhar em etapas. A questão dos fundos de vale, que envolve o terreno citado, será estudada entre fevereiro e março'', explicou Fumagalli.
Enquanto a definição não sai, os moradores reclamam da proliferação de insetos e animais peçonhentos no local. ''Tem mosquito da dengue, tem aranha, tem cobra, tem rato... Estamos sofrendo com a sujeira que acumula aqui do lado'', disse a doméstica Deiva Vargas, 34 anos, que mora perto do terreno. ''Eu quero fazer um convite para as autoridades competentes: quero que eles morem uma semana na minha casa para ver como é viver em frente a esse lixão'', sugeriu a vendedora Jovina Cândido Cotrin, 48.


