A divisão dos detritos domésticos entre lixo orgânico e lixo reciclável, como prega a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, ignora materiais que não se encaixam em nenhuma das categorias. É o caso de gesso, isopor e produtos tóxicos, como pilhas, baterias e lâmpadas de mercúrio.
Segundo a secretária da Associação de Recicladores Reciclando Leonor, Marlene Ferreira, é comum encontrar esse tipo de produto, principalmente pilhas, entre os materiais encaminhados para o barracão da ONG, na Zona Oeste. ''Nós separamos e colocamos junto com o lixo comum'', afirma. As pilhas, que possuem metais potencialmente perigosos, vão parar no aterro municipal, podendo contaminar o meio ambiente.
De acordo com o responsável técnico pelo aterro, o engenheiro Elsoni Delavi, não há como barrar o lançamento de pilhas e outros materiais tóxicos quando são de uso doméstico. ''Não temos como abrir cada sacola de lixo e separar esse tipo de material. Falta consciência por parte da população'', lamenta. Delavi aponta como alternativa o recolhimento desses materiais pelos fabricantes. ''As indústrias poderiam instalar pontos de coleta em postos, mercados etc. Pilhas, baterias, lâmpadas, tudo isso pode ser reutilizado. Mas há uma resistência muito grande por parte das indústrias'', assinala.
A construção de um aterro industrial, que poderia absorver essa demanda, ainda é impasse na região. O projeto de uma empresa catarinense para instalar um empreendimento do gênero em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) está há dois anos no Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ainda em fase de Estudo de Impacto Ambiental (EIA Rima). ''A idéia foi desaprovada por moradores da região. Mas as pessoas não podem pensar só em si e no vizinho, mas em todo o meio ambiente que está degradado'', argumenta o chefe regional do IAP, Ney Paulo. (V.N.)

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