Aterro espera por melhorias
Professores e estudantes de vários cursos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), além de outros profissionais e lideranças comunitárias criaram, no final do mês passado, o Instituto para Conservação e Estudo do Ambiente (Icea), uma organização não-governamental (Ong) sem fins lucrativos que atuará basicamente em duas frentes: estudos, pesquisas e denúncias sobre problemas ambientais existentes na cidade; e a captação de recursos internacionais para a execução de projetos que visem a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida da população.
A criação do Icea, ainda que quase um ano depois, é uma consequência direta da mobilização destes setores da sociedade que se opuseram, em agosto e setembro do ano passado, ao projeto de lei que abria à prefeitura a possibilidade de doação do aterro do Lago Igapó 2 à iniciativa privada para a construção de um complexo comercial e de lazer.
A lei, de autoria do Executivo Municipal, foi aprovado pela Câmara com um único voto contrário, o da vereadora Elza Correia (sem partido). Aliás, foi ela quem liderou o movimento de oposição à doação, solicitando a tomada de providências legais à promotora especial de Defesa do Meio Ambiente Maria Lúcia Reichembach. O aterro, com cerca de 90 mil metros quadrados no Jardim Maringá (área central) foi avaliado na época por técnicos da prefeitura em cerca de R$ 1 milhão. Corretores consultados pela Folha afirmaram que a área poderia ser vendida por até R$ 3 milhões.
A promotora solicitou laudos técnicos sobre as condições do aterro - formado à base de entulho na administração do ex-prefeito Wilson Moreira, na década de 80 - e as possibilidades de sua ocupação ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e à UEL. Os estudos foram unânimes em afirmar que o aterro está localizado no fundo de vale do Ribeirão Cambé e que, portanto, nele é ilegal qualquer tipo de edificação que cause riscos ao meio ambiente.
Durante a polêmica criada sobre o acerto ou não da possibilidade de doação da área pública à iniciativa privada, alunos e professores da escola Seta (Sensibilização, Educação, Trabalho e Atualização) se mobilizaram no sentido contrário, liderados pela educadora Mira Roxo. O laudo da UEL, dando conta que o aterro se encontra em área de preservação ambiental permanente, foi assinado pelo engenheiro agrônomo Efraim Rodrigues. Hoje, Mira Roxo e Rodrigues estão juntos na direção do Icea.
Depois de ter sancionado a lei e da reação contrária de vários setores da comunidade, o prefeito Antonio Belinati anunciou em outubro do ano passado que havia desistido da doação do aterro, e que o local seria preservado e receberia equipamentos de lazer para melhor servir à população. Na área, nenhuma melhoria foi feita neste período. Hoje, nela existe apenas um antigo campo de futebol de gramado ralo e poucas e baixas árvores exóticas. Ambientalistas defendem a recuperação do aterro com o imediato reflorestamento por espécies nativas da região e a instalação de, no máximo, uma pista de cooper, ciclovia e parque infantil. (O.C.)

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