Marialva é o único município entre os 30 que compõesm a Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep) a dar destino adequado ao lixo doméstico. Inaugurado em 2003, numa área de 66 mil metros quadrados, na Estrada Luís Carlos Macente, o aterro sanitário dispõe de células revestidas de geomembranas para abrigar o lixo gerado na cidade e nos distritos.
Cada vala revestida dura cerca de dois anos, o que permite a ocupação do terreno do aterro por 14 anos. No local, há duas valas cheias e a terceira, quase concluída, começa a receber lixo em 30 dias. A área tem um canal de escoamento que conduz o chorume (líquido resultante da decomposição de resíduos orgânicos) a um poço impermeável, evitando a contaminação do solo. Por mês, a população produz 450 toneladas de lixo.
Outra exigência dos órgãos ambientais executada no aterro sanitário de Marialva é um poço de monitoramento de 12 metros de profundidade. Regularmente, nele são feitas análises para verificar o estado do solo. O mesmo procedimento é adotado nos rios e minas nos arredores da área. O cuidado é necessário para evitar contaminação do lençol freático.
A construção do aterro sanitário pôs fim a um problema que se arrastava desde a fundação de Marialva: o lixão a céu aberto que funcionava ao lado do cemitério e poluía a maioria dos bairros. Fumaça e bandos de moscas perturbavam os moradores. Além disso, dezenas de pessoas (entre elas crianças) garimpavam lixo no local. ''Era uma cena degradante que incomodava e gerava até revolta naqueles que têm um pouco de sensibilidade social'', afirma o secretário da Agricultura e Meio Ambiente do município, Luiz Carlos Stefano.
Com a construção do aterro foi criada a Associação dos Coletores de Material Reciclável de Marialva (Aclimar), onde trabalham 15 pessoas que coletam cerca de 12 toneladas de lixo por mês. Este percentual somado ao volume separado pelos moradores e colhido por catadores nas ruas chega a 30%. Para Stefano, é preciso investir mais na conscientização dos moradores. ''Temos feito palestras nas escolas, nas associações de bairros, nos clubes de serviços'', diz. ''As pessoas estão se dando conta de que esse é o caminho''.
Segundo o coordenador da Aclimar, Carlos Gazim, o ideal seria a separação total do lixo (orgânico e reciclável) para evitar deterioração mais rápida da membrana que reveste as valas do aterro sanitário e entupimento de bueiros nas ruas. ''Com certeza, vamos chegar aos 100%'', declara. ''Tudo é uma questão de hábito e isso demora um pouco.''.
Enquanto o lixo doméstico vai para o aterro, o gerado pelos hospitais, farmácias, laboratórios, clínicas médicas e lojas veterinárias segue para um aterro sanitário industrial, em Curitiba.

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