Aterro de Curitiba deixa de receber pneus usados
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sábado, 25 de janeiro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Os fabricantes de pneus estão encarando como injustiça o que não passa de uma obrigação legal. A Prefeitura de Curitiba cancelou, desde a última terça-feira, o recebimento de pneus no aterro da Caximba. Segundo declarações do presidente do Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha, Celso Luis Dalagrana, divulgadas pela rádio CBN ontem, os empresários não foram avisados da suspensão e não sabem o que fazer com os pneus de caminhões e máquinas, pois não haveria tecnologia no Paraná para reaproveitamento.
A superintendente de Controle Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Marilza Dias, rebate as informações do sindicato, dizendo que a suspensão aconteceu esta semana, mas que os empresários já estavam sendo avisados há mais de 15 dias. Ela justifica que a decisão, na verdade, vem em cumprimento à Resolução 258, baixada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em 1999. Pela legislação, fica proibida a destinação de pneus em aterros sanitários e a responsabilização passa a ser dos fabricantes e importadores de pneus.
A mesma resolução estabelece um cronograma para geradores providenciarem, gradativamente, a destinação ambientalmente adequada dos pneus. Até o ano passado, para cada quatro pneus fabricados ou importados, um tinham que ter destinação adequada. Este ano metade dos pneus deve ser reciclados.
Marilza negou que a prefeitura vinha descumprindo à resolução do Conama, apesar de continuar recebendo os pneus de 1999 para cá. Ela alega que havia necessidade de ter alternativas de destinação como a que foi encontrada para os pneus de carros e caminhonetes. Por meio do programa Rodando Limpo, implantado no final de 2001, a prefeitura firmou termo de cooperação com a empresa BS Coway, que compra os pneus dos fabricantes e leva para a Usina de Xisto, em São Mateus do Sul.
Segundo a superintendente, já existem empresas na Região Metropolitana de Curitiba, Apucarana e em São Paulo que fazem o reprocessamento dos pneus grandes.
Além da notificação pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), outro motivo forte para cumprir integralmente a resolução do Conama é a situação do aterro da Caximba, que está com a vida útil se esgotando. Por enquanto, a prefeitura não tem alternativas para um novo aterro. Segundo Marilza, está sendo concluído um estudo de aumento da capacidade do aterro atual.


