Emerson Cervi
De Curitiba
O aterro sanitário que recebe o lixo da Região Metropolitana de Curitiba teria vida útil encerrando no final deste ano
A vida útil do aterro sanitário da Caximba, zona sul de Curitiba, que recebe lixo de Curitiba e outros 12 municípios da região metropolitana deveria terminar em novembro deste ano. Pelo projeto, o aterro inaugurado em novembro de 1989 poderia ser utilizado por dez anos. Mas devido ao projeto de separação e reciclagem de lixo de Curitiba, que começou também em 1989, o volume de lixo depositado no aterro diminuiu, permitindo o uso do depósito por mais três anos. ‘‘A separação do lixo reciclável e o bom trabalho de compactação permitiram uma sobrevida do aterro até 2001’’, disse o diretor de limpeza pública da prefeitura, Nelson Xavier Paes.
Pelo projeto original, o aterro poderia receber 3,5 milhões de toneladas de dejetos em 27 hectares. Hoje, o aterro tem 4,1 milhão de toneladas e ainda restam 7 hectares de aterro a serem preenchidos. ‘‘O lixo reciclável é mais difícil de ser compactado e com a separação nós pudemos fazer um bom trabalho de compactação’’, explica. ‘‘Se não fosse isso, a capacidade do aterro da Caximba já teria se esgotado há muito tempo’’.
Como o projeto do Aterro Norte ainda não saiu do papel. Nem mesmo a área em que ele será instalado, previsto para o município de Rio Branco do Sul, foi definida. Sem a capacidade extra do Caximba não haveria onde depositar o lixo urbano da região metropolitana com segurança ambiental. Atualmente, o aterro do Caximba recebe 2,2 mil toneladas de lixo por dia. Quando ele entrou em operação, a quantidade diária de dejetos era de 552 toneladas.
Todos os dias, carrinheiros que recolhem papel e os caminhões da coleta diferenciada selecionam 300 toneladas de lixo reciclável em Curitiba. Com isso, deixam de ser depositados 1,3 mil metros cúbicos de papel, papelão, vidro e plásticos no Caximba diariamente. Desse total, 225 toneladas são coletadas por cerca de 1,5 mil carrinheiros e outras 70 toneladas recolhidas pelos caminhões verdes. Atualmente, 19,73% da população de Curitiba participa da coleta diferenciada. ‘‘A participação dos carrinheiros é fundamental nesse processo de seleção de lixo reciclável porque desobriga a prefeitura a usar mais caminhões’’, explica o diretor de limpeza pública.
As 4,1 milhões de toneladas de lixo depositadas no Caximba estão distribuídas em 11 células com 4 metros de altura cada um. Além da impermeabilização da área, o controle dos resíduos no aterro da Caximba prevê a drenagem do chorume e tratamento dos líquidos em lagoas de decantação, queima do gás metano liberado pela decomposição dos resíduos e aterramento do material sólido. Depois de completar uma célula, os dejetos são cobertos de terra, onde planta-se grama e árvores. ‘‘Temos 10 mil mudas de pinus lá, depois que terminar a operação do aterro o local vai virar um bosque’’, conta Xavier.
A área total do aterro Caximba é de 54 hectares, mas apenas 27 hectares podem ser usados para depósito de lixo. O restante forma um cinturão verde no local. A prefeitura de Curitiba resolveu centralizar o depósito de lixo dos municípios conurbados para aumentar a segurança ambiental. ‘‘Os pequenos municípios não têm condições de manter um aterro sanitário em boas condições de segurança e se eles poluíssem as áreas de mananciais da região a população de Curitiba também seria prejudicada, por isso optamos pelo aterro único’’, completou Xavier.
Ampliação A Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Sudersha), do Paraná, está promovendo um seminário hoje e amanhã sobre implantação e gerenciamento de programas de coleta seletiva e reciclagem de resíduos sólidos. Técnicos de 70 municípios devem participar do evento. O objetivo é fazer com que até o fim do ano os lixões de 215 municípios sejam substituídos por aterros sanitários equipados com barracão de prensa para coleta seletiva e reciclagem.

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